Algumas empresas de pequena e média dimensão dos concelhos de Celorico da Beira, Fornos de Algodres e Trancoso, Vila Franca das Naves concordam com o aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) de 485 para 505 euros. Os empresários reconhecem que a subida de 20 euros é muito pequena. «Uma gota de água», é como a classifica José Afonso Ferreira, gerente da Afonso & Filhos – empresa de comercialização de produtos alimentares frescos e congelados sediada em Vila Franca das Naves.
A maioria das empresas não receia o impacto no volume de negócios e faturação. O aumento do ordenado mínimo deverá ser compensado pela redução da Taxa Social Única (TSU) em 0,75 pontos percentuais. Por isso, nem as Carnes Possidónio (Fornos de Algodres), com seis funcionários, nem a Salsicharia Trancosense, com 60 trabalhadores, pensam sofrer consequências pelo aumento. Por seu turno, António José Baptista, gerente do Hotel Mira Serra (Celorico da Beira), afirma que «a nossa empresa ainda não entrou na poupança desenfreada» e não teme o aumento das despesas, pois garante que «arranjaremos forma de faturar para poder pagar aos 14 trabalhadores».
Na Lacticôa (Vila Franca das Naves), Carolina Sales já fez as contas e acredita que a empresa de comércio de produtos agroalimentares e produção de queijo vai sofrer um impacto significativo, que se traduz «em cerca de 400 euros por mês». Para a responsável da unidade queijeira, o aumento do SMN de 485 para 505 euros «é penalizador porque não podemos mexer nos preços dos custos e só acresce em despesas».
No supermercado Sincelo (Trancoso) a subida do ordenado mínimo adquire outra perspetiva. Para o sócio-gerente Sérgio Freitas, a superfície comercial não irá ganhar muito nas compras dos clientes, já que «o aumento é muito pequeno e, com os impostos, a conquista de poder de compra real das famílias não irá modificar muito as vendas na relação comercial das empresas», perspetiva.
Novo salário mínimo está em vigor desde ontem
O Conselho de Ministros aprovou na última quinta-feira o aumento do salário mínimo nacional de 485 para 505 euros, uma medida que já está em vigor desde ontem, com base no acordo assinado com as confederações patronais e a UGT.
Nos termos do mesmo acordo, de que ficou de fora a CGTP, foi também aprovada uma redução de 0,75 pontos percentuais da taxa social única (TSU)
a pagar pelas entidades empregadoras, referida como uma «medida excecional de apoio ao emprego» no comunicado do Conselho de Ministros. O documento frisa que o Conselho de Ministros «atualizou o valor da retribuição mínima mensal garantida (RMMG), fixando-a em 505 euros», uma decisão que começou a «produzir efeitos» no primeiro dia deste mês, «aplicando-se até 31 de dezembro de 2015».
No mesmo comunicado lê-se que «esta atualização foi o resultado das negociações entre o Governo e os parceiros sociais subscritores do Acordo Tripartido sobre o aumento da RMMG e promoção da competitividade e emprego», assinado a 24 de setembro. Quanto à «redução da 0,75 pontos percentuais da taxa contributiva a cargo da entidade empregadora», o executivo apresenta-a como uma «medida excecional de apoio ao emprego» que decorreu igualmente «das negociações entre o Governo e os parceiros sociais subscritores do acordo tripartido». A redução da TSU de 23,75 por cento para 23 por cento paga pelas empresas fica dependente de três condições cumulativas. Abrangerá os trabalhadores contratados «pelo menos desde maio de 2014» e os que nos primeiros oito meses do ano tenham recebido pelo menos uma remuneração equivalente ao salário mínimo (ou seja, a 485 euros). Além disso, as empresas têm de ter a sua situação contributiva regularizada perante a Segurança Social. O valor do salário mínimo nacional de 485 euros estava congelado desde 2011.


