Ela era “bastante”, às vezes “muito” e, em certas ocasiões, “demasiado”. Muito bela, bastante talentosa, demasiado extravagante e muitíssimo generosa. Tudo na sua vida foi destaque: os olhos violetas, a coleção de joias, os oito casamentos, as notáveis interpretações e o apoio na luta contra a SIDA. Ela é a insubstituível Elizabeth Taylor.
Hoje, 23 de março, faz seis anos que faleceu essa gata de olhos roxos. O mito, esse, continua vivo e quero aqui alimentá-lo. Elizabeth, de origem britânica, tornou-se estrela ainda em criança, na MGM, onde acompanhou, por duas vezes, a cadela Lassie. “National Velvet” (1944) é, todavia, o filme mais emblemático da sua carreira enquanto estrela infantil. Nesse filme está maravilhosa, essa criança “Branca de Neve” com os cabelos pretos como ébano (a rigor, castanhos escuros) e a pele branca como a neve. Tal como Judy Garland, Elizabeth conseguiu a difícil façanha de passar vitoriosamente de estrela infantil para estrela adulta. “Father of the Bride” (1950) e “A Place in the Sun” (1951) evidenciaram a sua fotogenia adulta e a sua imaculada representatividade do sonho americano.
Contudo, foi apenas no final da década que provou definitivamente que não era apenas uma estrela glamorosa, mas também uma atriz de grande talento. O seu notável desempenho em “Cat on a Hot Tin Roof” (1958), um dos filmes que mais lhe são associados, confere-lhe a segunda nomeação ao Óscar de melhor atriz. Todavia, é com uma das suas mais desinteressantes performances, no deprimente “Butterfield 8” (1960), que Elizabeth consegue ganhá-lo. Foi durante as filmagens de “Cleopatra” (1963) que a diva se apaixonou por Richard Burton, com quem casaria duas vezes e com quem estabeleceria para sempre uma relação sufocante de amor e ódio. De facto, eram uma espécie de George e Martha da peça “Who’s Afraid of Virginia Woolf?” que seria precisamente levada ao ecrã em 1966, tendo o casal como protagonista. Um papel que garantiu a Elizabeth o seu segundo Óscar.
Apesar da sua inesquecível performance e do sucesso comercial do filme, o teatro e a televisão passaram a ser, por essa altura, as suas principais fontes de rendimento. O que nunca mudou foi a sua vida amorosa tumultuosa, a sua coleção cada vez maior de diamantes e o seu valor incalculável de altruísmo – por exemplo, quando o seu amigo Montgomery Clift teve um grave acidente de carro, ficando encarcerado, a diva entrou na viatura e prestou-lhe apoio emocional até a ajuda médica chegar.
Elizabeth Taylor, uma das últimas estrelas do “star system”, foi glamour e generosidade, foi grandiosa em tudo o que fez, tendo sido e feito tudo através daquela fascinante mirada violeta.
Miguel Moreira


