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E os programas, senhores?

Não adianta grande coisa para o PSD e PP continuarem a acusar o Presidente da República de ter convocado eleições. O facto é que elas se vão mesmo realizar. Por isso, o que os portugueses agora querem saber é quais as propostas eleitorais que os partidos, nomeadamente PSD e PS, lhes propõem. É com base nisso que também se decidirá o sentido de voto.

E se no caso dos sociais-democratas, sendo estes liderados por Santana Lopes nesta batalha eleitoral, não deverá haver grandes mudanças em relação ao que o Governo fez até agora, mesmo se o programa eleitoral é redigido por um independente, António Mexia, já em relação ao PS, que as sondagens dão como provável vencedor, ainda há muito por esclarecer, quer em relação às pessoas, quer em relação ao programa.

Como parece óbvio, José Sócrates, António Vitorino e Jaime Gama estão certos num eventual futuro governo do PS. Mas mais do que isso, o que os portugueses querem saber é quem será o ministro das Finanças desse eventual futuro Governo. Luís Campos e Cunha, ex-vice-governador do Banco de Portugal, dá um determinado sinal. Fernando Teixeira dos Santos, actual presidente da CMVM, outro. E Joaquim Pina Moura outro completamente diferente. E se em dois dos casos há que aplaudir ou dar o benefício da dúvida, o outro leva a recusar o voto no PS.

Já quanto ao programa, é bom que José Sócrates comece por esclarecer se também pretende fazer a quadratura do círculo, que Santana e Bagão Félix nos tentaram vender. Na verdade, o líder do PS diz que apostará na consolidação orçamental. Boas e sábias intenções. Mas a seguir manifesta-se contra o pagamento das Scuts (auto-estradas sem custos para o utilizador, mas para o erário público, ou seja, para todos os contribuintes, ou seja, mais uma despesa para o Orçamento do Estado, que o PSD tinha decidido impor) e contra o fim dos incentivos fiscais dos PPR, PPR-E, PPA e Contas Poupança-Habitação (logo, uma receita que Bagão ia obter e que já não virá), que será compensado com a não descida dos escalões do IRS aprovado no OE 2005 (o que fará num eventual novo Orçamento? Terá a coragem de subir de novo as taxas?).

Além do mais, Sócrates também já se pronunciou contra a Lei das Rendas, uma medida de que o país precisa desesperadamente há 50 anos e que finalmente foi aprovada por este Governo, depois de já ter sido pago o respectivo custo político. É exactamente o que se passou com a co-incineração, quando Sócrates era ministro: o PSD de Durão voltou atrás e o país continua sem uma forma de resolver o problema dos resíduos sólidos e perigosos.

Ou seja, pode não se gostar nada da forma como Santana estava a governar o país. Mas é bom que o PS esclareça o que vai fazer se chegar ao poder para sabermos se merece o voto da maioria dos portugueses. E, para já, os sinais, no plano económico, são contraditórios.

Por: Nicolau Santos *

* Sub-Director do Expresso

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