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Dois mortos em carrinha abalroada por comboio

Veículo comercial foi arrastado desde a passagem de nível da Quinta das Bertas até próximo das plataformas da estação ferroviária da Guarda

Dois trabalhadores de uma empresa de assistência e reparação de elevadores morreram na passada quarta-feira, a poucos metros da estação de caminhos-de-ferro da a Guarda, após a carrinha em que seguiam ter sido abalroada na Linha da Beira Alta e arrastado durante mais de 200 metros por uma composição de mercadorias que transportava ferro.

A colisão ocorreu ao início da tarde na passagem de nível da Quinta das Bertas, sem guarda ou cancela, que liga o bairro de Na. Sra. de Fátima (Sequeira) à localidade dos Galegos, na periferia da cidade. O veículo comercial foi arrastado até se imobilizar próximo das plataformas da estação ferroviária, centenas de metros mais à frente. Ali, segundo testemunhas ouvidas no local por O INTERIOR, funcionários da REFER e alguns populares ainda tentaram prestar socorro às vítimas, que ficaram encarceradas, e apagar o incêndio que deflagrou entretanto. «Os extintores que havia na máquina não funcionaram, ainda usámos aparelhos de empresas da vizinhança mas as chamas alastraram rapidamente e já não pudemos fazer nada», afirmou um jovem, que pediu para não ser identificado. O incêndio consumiu por completo o veículo e parte da locomotiva. O maquinista saiu ileso do embate, mas ficou em estado de choque e teve que receber tratamento psicológico no local.

«Penso que a passagem de nível tem alguma visibilidade e sinalética que alerta os automobilistas para a passagem de comboios. Contudo, só no momento é que se sabe o que acontece e desta vez não temos quem nos conte o que se passou», declarou o comandante dos bombeiros da Guarda, Paulo Sequeira. As causas do acidente estão a ser apuradas pela REFER e Polícia Judiciária, que esteve no local na passada quarta-feira. A circulação ferroviária na Linha da Beira Alta entre a Guarda e Vilar Formoso esteve interrompida até ao princípio da noite. As vítimas mortais, Amílcar Canário, de 42 anos e natural de Peraboa (Covilhã), e Francisco Monteiro, de 32 anos e natural de Pinhel, mas a residir em Freches (Trancoso), foram a enterrar no dia seguinte. Em janeiro de 2005, dois ocupantes de uma carrinha tiveram mais sorte, tendo sofrido ferimentos ligeiros quando o veículo foi abalroado na mesma passagem de nível por um comboio regional que ligava a Guarda a Vilar Formoso.

Um incêndio consumiu por completo o veículo e parte da locomotiva

Comentários dos nossos leitores
antonio vasco s da silva vascosil@live.com.pt
Comentário:
Algo está mal, algo terá de ser feito. Não é caso único, não podemos estar à espera que morram ali mais pessoas, por isso deve haver uma intervenção rápida na busca de soluções que impeçam mais desgraças. Às famílias enlutadas os meus pêsames.
 

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