Doenças profissionais são aquelas cuja origem está relacionada com a atividade ou o ambiente em que a mesma é desenvolvida.
O pulmão, com os seus 350 milhões de alvéolos, a que corresponde uma superfície aproximada de 70 metros quadrados, é a principal interface entre o organismo e o ambiente, estando assim sujeito às mais variadas exposições: fumos, poeiras, gases e vapores produzidos ou utilizados em meio laboral. O desenvolvimento das doenças profissionais pulmonares vai depender da suscetibilidade do indivíduo, da intensidade da exposição, do tipo de exposição, do tipo de partículas (orgânicas, inorgânicas ou sintéticas), do seu tamanho, densidade, solubilidade e carga elétrica.
A manifestação destas doenças pode ocorrer de uma forma aguda ou crónica, insidiosamente ao longo de décadas, constituindo um grupo de doenças com elevada repercussão na qualidade de vida dos trabalhadores afetados.
As doenças pulmonares ocupacionais podem ser as mais variadas: asma, bronquite, pneumoconioses, pneumonites de hipersensibilidade, doenças infecciosas e cancro.
A asma profissional, que nos países industrializados é a causa mais frequente de doença ocupacional, manifesta-se por episódios de tosse, pieira e dispneia; podendo atingir, por exemplo, os padeiros, como consequência de uma exposição continuada ao pó dos cereais. As pneumonites de hipersensibilidade, de que é exemplo a suberose que atinge os trabalhadores da indústria da cortiça, são doenças imunológicas do pulmão causadas por exposição a alergéneos orgânicos.
Já as pneumoconioses resultam da acumulação no interstício pulmonar de partículas inorgânicas (sílica, carvão, berílio, cobalto, etc). A silicose é a doença fibrosante do pulmão com maior prevalência no mundo e atinge sobretudo trabalhadores da indústria da cerâmica, mineiros e pedreiros. Os profissionais de saúde estão, também eles, sujeitos a doenças profissionais, tendo neste contexto especial relevo a tuberculose pulmonar. Das neoplasias pulmonares e pleurais ocupacionais realçam-se as provocadas pelas fibras de asbesto, presentes no amianto. Pelo facto de ser um excelente isolante, este material foi largamente utilizado na construção naval, civil e na indústria automóvel durante o século XX.
As doenças ocupacionais pulmonares podem, pois, ocorrer em várias profissões e com diferentes graus de gravidade. A Saúde Ocupacional tem um importante papel na prevenção e no diagnóstico precoce das doenças ocupacionais. Compete-lhe promover condições de trabalho adequadas com medidas de proteção individual e coletiva que garantam o mais elevado grau de qualidade de vida no trabalho, protegendo a saúde dos trabalhadores e promovendo o seu bem estar físico, mental e social.
Por: Luís Ferreira
* Pneumologista


