A direcção demissionária da Pinhelcoop vai manter-se em funções até o tribunal decidir sobre o futuro daquela cooperativa agrícola de Pinhel. A decisão foi tomada ontem depois de nenhuma lista ter aparecido a sufrágio durante uma pouco concorrida assembleia-geral de sócios convocada para eleger os novos corpos sociais.
Dívidas elevadas estão na origem de uma situação insustentável para a instituição, correndo termo no tribunal local um pedido de recuperação ou falência. O que implica que a Pinhelcoop, com três décadas de existência e 1.800 associados, passe a ser administrada por um gestor judicial, a quem caberá apresentar um plano de recuperação. Os credores deverão depois pronunciar-se sobre a viabilidade ou não da cooperativa, embora a maioria dos associados e forças vivas do concelho defenda o fim da Pinhelcoop e a criação de uma nova entidade.
Segundo Abel Rocha, presidente eleito em Julho de 2004 e demissionário desde 17 de Março, as dificuldades não são recentes, só que a situação agravou-se no início deste ano quando a direcção foi confrontada com mais dívidas que as contabilizadas, “cerca do triplo”, refere. Paradigmática é uma obrigação para com o Estado com cerca de trinta anos que ascende actualmente a cerca de 75 mil euros, quando representava na altura perto de nove mil euros.
Ainda assim, a direcção demissionária, também formada por José Dâmaso (tesoureiro) e António Lopes (secretário), conseguiu regularizar os salários em atraso, que chegaram a ser de sete meses, e liquidou cerca de 40 mil euros de dívidas. A Pinhelcoop é a maior organização do concelho e a crise que atravessa agravou-se há dois anos. As maiores dívidas da instituição eram com três instituições bancárias, que foram pressionando a cooperativa a pagá-las accionando processos em tribunal. O passivo terá começado, ao que tudo indica, com investimentos que nunca deram lucro. Exemplo disso foi o Parque de Leilões de Gado, no qual foram gastos mais de 700 mil euros e que é actualmente pertença da Caixa de Crédito Agrícola. O anfiteatro, no edifício da Pinhelcoop, é outra obra na qual se gastaram 250 mil euros, mas que, além de nunca ter sido usada, ficou ao abandono.


