Os concelhos de Belmonte, Covilhã, Fundão e Penamacor vão constituir em breve uma associação regional para fins específicos, denominada já como Associação Regional da Cova da Beira, para salvaguardarem projectos comuns. Esta foi a decisão que os quatro municípios tomaram durante um almoço de trabalho realizado na última terça-feira em Belmonte, após terem decidido aderir a comunidades urbanas diferentes. Belmonte e Covilhã estão inclinados para uma junção à Guarda enquanto que Fundão e Penamacor tendem para uma aliança com Castelo Branco no novo processo de descentralização administrativa.
Face à impossibilidade de uma comunidade alargada entre os dois distritos e depois de terem rejeitado uma possível comunidade intermunicipal por não terem acesso directo aos fundos comunitários e verbas do Orçamento de Estado, cada município da Cova da Beira decidiu escolher isoladamente a comunidade mais favorável para o seu concelho, dividindo-se assim o núcleo que sempre esteve unido desde que a discussão começou a atingir um patamar mais elevado. A Associação Regional da Cova da Beira surge assim como resposta para manter os quatro municípios unidos, apesar de pertencerem a comunidades diferentes. Com um estatuto «muito semelhante» às comunidades intermunicipais, as associações regionais para fins específicos prevêem que municípios localizados na mesma área geográfica possam agregar-se para «desenvolver projectos» comuns e específicos na sua área de influência, explica Amândio Melo, presidente da Câmara de Belmonte, sem no entanto pôr em causa a integração destes municípios em comunidades urbanas.
«O que está aqui em causa é o facto da Beira Interior Norte e Beira Interior Sul terem assumido a exclusividade em relação a uma das partes, o que nós respeitamos. Tendo em conta as perspectivas de salvaguarda dos interesses próprios da Cova da Beira, achámos que não deveríamos em caso algum provocar aqui uma divisão que viesse colocar em causa projectos comuns», defendeu o autarca belmontense, aludindo, por exemplo, ao aproveitamento hidroeléctrico que a Covilhã pretende construir na serra, aos projectos eólicos que cada um destes municípios têm ou à criação de uma feira regional de dimensão nacional.
Rumos diferentes na Cova da Beira
Seja como for, o certo é que o “núcleo duro” da região vai dividir-se apesar da constituição da associação regional. O caso mais paradigmático é o dos concelhos vizinhos da Covilhã e do Fundão que, apesar de estarem unidos geograficamente e por projectos comuns, assumem caminhos diferentes. A Covilhã prefere juntar-se à Guarda, como aliás sempre manifestou, enquanto que para o Fundão o importante é manter-se no distrito albicastrense. «Se não for possível manter a comunidade da Cova da Beira, o Fundão fica onde está. Não me sinto mal no distrito de Castelo Branco», referiu Manuel Frexes na última segunda-feira depois de questionado sobre as comunidades. No entanto, a decisão definitiva do Fundão apenas deverá ter surgido ontem (depois do fecho deste jornal) na reunião que Manuel Frexes teve com a Comissão Permanente da Assembleia Municipal, se bem que tudo aponta para uma ligação a Sul, pois foi a vontade expressa na última Assembleia Municipal. Atrás do Fundão irá também Penamacor por causa da «rodovia, regadio e relação comercial» com Castelo Branco, justifica o autarca penamacorense Domingos Torrão.
Em direcções opostas seguem Belmonte e Covilhã, que querem a agregação à Guarda por ser mais favorável para o desenvolvimento dos seus municípios. Amândio Melo enumera a «proximidade, os projectos comuns e as afinidades culturais e sociais com a Guarda» para justificar esta união em comunidade, enquanto que Carlos Pinto aponta ainda a indefinição de Castelo Branco como condicionante para a rejeição da Covilhã ao Sul. «Não sei o que é Castelo Branco neste momento», ironiza o autarca da Covilhã, para quem «não se pode estar toda a vida à espera de quem não sabe o que quer». «Não podemos andar a brincar aos ditos e mexericos, avanços e recuos. A Covilhã vai procurar fazer uma comunidade urbana com os municípios a Norte. Cada município saberá o melhor caminho», continua o edil, acrescentando que agora «os dados estão lançados nesse sentido» pelo que «cada um deve assumir as suas responsabilidades». E isto porque a Covilhã, defensora desde o início de uma comunidade alargada entre a Guarda e Castelo Branco, não quer «ficar paralisada à volta de unicidades paralíticas, não aceites por todas as partes». Quero sobretudo aproveitar esta porta do Governo para podermos desenvolver-nos mais rápido», realçou o autarca. Com a integração da Covilhã e Belmonte nos nove municípios da Beira Interior Norte, a futura estrutura consegue os 150 mil habitantes necessários para criar uma comunidade urbana, enquanto que Castelo Branco não alcança esse número mesmo com Fundão e Penamacor.
Liliana Correia


