Na fonte vi Lianor, descalça e de olhos postos no chão. Chorava, chorava:
– Vistes lá o meu amor?
E pousando o rosto de pele clara sobre as mãos, pensava em todos os momentos que passaram, os segredos e carinhos. Os olhos, cansados de tanto chorar, deram-lhe algum descanso, pois, recordando momentos tão bons, a mágoa atenuava-se.
E molhando os pés na água, enquanto lavava a talha, começou a cantar uma doce melodia que, de uma forma leve, aquecia a ausência das juras de um amor eterno.
Conformando-se com o seu destino, de quando em quando, Lianor pára de chorar, suspendendo a dor, que em si tornando, mais pesada sente.
Mas já não deita dos olhos água, penso que não quer que a dor se abrande, pois ao chorar, as lágrimas levam a dor e as memórias.
– Ele casou, Lianor, não podia ser de outra maneira. – responderam-lhe.
E de improviso a vi chorar, de rosto escondido no vento, na água, no canto dos pássaros, na beleza das flores.
Muita pena tive de Lianor, olhai que extremos de dor!
Inês Duarte Tavares (10.º E)



