Engravatados ou em sapatilhas, os aprendizes de políticos do distrito não se fizeram rogados e defenderam com “unhas e dentes” as suas ideias sobre “Violência Doméstica – Medidas de combate e prevenção” numa Assembleia quase a sério, não fossem deputados de palmo e meio. Os representantes da Escola Secundária de Gouveia venceram a concorrência na sessão distrital do Hemiciclo – Jogo da Cidadania, que decorreu na semana passada na sala da Assembleia Municipal da Guarda. Já Tatiana Albino, aluna da Secundária Gonçalo Anes Bandarra de Trancoso, foi eleita a melhor deputada distrital entre os 44 jovens presentes. Tanto a Escola de Gouveia, como a deputada distrital eleita vão ser os representantes do distrito na sessão nacional a decorrer no Palácio de S. Bento a 14 de Abril. O jogo é promovido pelo Instituto Português da Juventude.
Um minuto bastou para que as onze escolas apresentassem as suas propostas, debatidas e defendidas depois num debate mais alargado. A Escola Secundária de Gouveia propôs a criação de um «tribunal específico» para o julgamento de casos ligados à violência doméstica e abusos sexuais de menores ou de adultos. Uma medida que logo incendiou as bancadas, primeiro, porque os gouveenses decidiram avançar com uma medida «inovadora» e depois, porque não alinharam em coligações, sustenta Francisco Albuquerque, deputado por Gouveia. Logo João Silva, da Secundária da Sé (Guarda), se apressou a contestar, afirmando que a coligação é «uma mais-valia, porque a união faz a força». E acrescentou ainda que a sua medida «marca pela diferença, pois tenta eliminar o crime através da prevenção», diz num tom mais sério. «Quando todos apostam na sensibilização, nós defendemos que aquele que comete o crime deve ser punido», acrescenta, convicta, Ana Rita Figueiredo, também da bancada de Gouveia. A criação de um tribunal proporcionaria «apoio às vitimas, podia despertar a sua confiança e motivá-las a denunciarem os seus agressores», acrescenta a jovem.
Entretanto, a oposição questionou os custos de um novo tribunal, tendo em conta o contexto de crise económica que o país atravessa. «Apesar da má situação financeira, há obras em curso, como o aeroporto da Ota, a ligação do TGV, as travessias sobre o rio Tejo, entre tantas outras», refuta o deputado Bruno Silva. No final, a proposta da coligação constituída por cinco escolas (Secundária de Seia, da Sé, Profissional de Trancoso, Secundária de Trancoso e EB 2,3 e Secundária de Almeida) acabou por vencer. Assenta, «essencialmente, numa intervenção com base na consciencialização social, bem como num trabalho mais exaustivo junto da vítima e do agressor», esclarece, convicta, a trancosense Tatiana Albino. A sua intervenção triunfadora, já no final do debate, viria a consagrá-la a melhor deputada distrital. Pode ser um começo.
Patrícia Correia


