A Delphi de Castelo Branco poderá dispensar mais de 300 trabalhadores no final deste mês, alerta o Sindicato das Indústrias Transformadoras (SITE). Tal como aconteceu na Guarda, onde a multinacional norte-americana de cablagens fechou um fábrica em dezembro de 2010, a administração justifica a decisão com «os ajustamentos de produção inerentes à atividade da indústria automóvel».
Os despedimentos foram divulgados no início desta semana pela sindicalista e funcionária da empresa Gabriela Gonçalves. A dirigente do SITE adiantou aos jornalistas que os operários em causa, maioritariamente temporários, já foram informados que «a linha de cablagens da Rover vai ser deslocalizada para outro país». Por sua vez, a administração da Delphi entendeu não comentar «ajustamentos derivados de aumentos ou decréscimos de produção e que são inerentes à atividade da indústria automóvel». No entanto, o SITE já solicitou uma reunião aos responsáveis da fábrica para conhecer melhor os termos desta opção. «A confirmarem-se estas informações, vai haver um aumento brutal de desempregados no distrito de Castelo Branco», disse Gabriela Gonçalves, chamando a atenção para a situação dos casais que trabalham na empresa.
O sindicato também quer saber a situação dos quase 600 trabalhadores efetivos da fábrica de Castelo Branco, para onde foi anunciado um novo projeto da Nissan. É que, segundo a dirigente, ainda não é conhecida a data de início dessa produção, que será «de menor dimensão e não irá absorver os mais de 300 trabalhadores que até final do mês poderão ser despedidos». A Delphi conta atualmente com cerca de 1.300 trabalhadores, sendo uma das maiores empregadoras do distrito de Castelo Branco. Em dezembro de 2010, absorveu parte da produção da fábrica da Guarda, que fechou portas deixando 321 trabalhadores desempregados. Foi o culminar de um ano em que a multinacional dispensou mais de 900 pessoas.



