Se nos primeiros meses de 2016 o presidente do Politécnico da Guarda encarou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior com alguma «desilusão e desconfiança», hoje a sua opinião mudou, garantiu Constantino Rei na cerimónia de Abertura do Ano Académico, que aconteceu na passada terça-feira. O responsável reconhece que atualmente a tutela «tudo tem feito para agilizar os problemas», confirmando assim que «afinal é possível recuperar a confiança».
Apesar deste reconhecimento na presença do próprio ministro, Constantino Rei deixou escapar ainda alguma preocupação com as colocações deste ano no que diz respeito ao reduzido número de estudantes que optam por instituições de ensino superior no interior. Se por um lado adianta que, no seu entender, a melhor opção seria «a redução de vagas nos grandes centros urbanos em benefício do interior», o responsável confessa que já ficaria satisfeito se não houvesse «aumento de vagas nas instituições dos grandes centros», ao contrário do que aconteceu este ano. Segundo o presidente do IPG, a Escola Superior de Hotelaria e Turismo, em Seia, sofreu «diretamente» as consequências dessa decisão. Este ano, numa instituição de Coimbra, abriram cursos também lecionados no IPG e Constantino Rei não tem dúvidas que esse foi o motivo da redução de candidatos nessas licenciaturas que anteriormente «até tinham uma boa taxa de ocupação». Uma decisão que, segundo o professor, «levam a um uso menos eficiente de recursos».
Embora o futuro possa ser «sombrio», baixar os braços não está nos objetivos do presidente do IPG. Nos próximos anos prevê-se uma redução de alunos no secundário da Guarda de cerca de 20 por cento, o que acabará por influenciar os destinos do Politécnico com Constantino Rei a alertar que «a tendência só não será o nosso destino se formos audazes» e por isso considera que as alternativas não poderão passar apenas por «captar alunos do ensino profissional, mas por atrair jovens do país e estrangeiros e mobilizá-los para o interior». Além disso, será também necessário «fixar os que ainda cá estão». Atualmente, os alunos internacionais já têm um «peso considerável» no IPG, sendo mais de uma centena e esse vai continuar a ser um dos caminhos.
Em sintonia com a presidência do Instituto guardense está o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que alertou para a necessidade de um «esforço coletivo, que passa pelo diálogo, voluntarismo e colaboração com a instituição», tendo reforçado que «fazemos melhor se trabalharmos uns com os outros e em diálogo».
Manuel Heitor garantiu ainda que «estamos melhores que há um ano atrás», mas haverá ainda «muito trabalho a fazer», acrescentou o governante.
IPG mais perto de estudantes reclusos
Ainda na sessão solene foi assinado um protocolo entre o IPG e a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais que vai permitir que os reclusos do Estabelecimento Prisional da Guarda a frequentar o IPG possam assistir a uma aula em tempo real e à distância. Através do acesso a meios audiovisuais e de um sistema informático vai ser criada «uma sala de aula à distância», referiu o Diretor-Geral dos Serviços Prisionais, que espera poder contar com este novo serviço a partir de janeiro de 2017.
Celso Manata explicou que este acordo vem «coroar uma relação que já dura há bastantes anos e permite dar mais passos neste caminho, que tem dado a oportunidade a pessoas que estão privadas da liberdade tenham acesso a formações de nível superior». Atualmente frequentam o IPG 13 reclusos e mais um em liberdade condicional. «São percursos positivos para os reclusos e para nós, que permite dar um recurso de inserção», considera o diretor-geral, que acredita que poderão ser «exemplos positivos e motivadores para outros reclusos». No mesmo dia foi ainda anunciado um protocolo com a Câmara de Seia que prevê a criação de uma residência universitária naquela cidade, algo que até aqui estava em falta.
Ana Eugénia Inácio


