Considerado o maior analista político de todos os tempos, Aristóteles definiu a política «como uma espécie de saber que nem a sensibilidade nem a imaginação podem estar ausentes, embora a prioridade seja atribuída à racionalização tecnológica e à reflexão crítica».
Após o período socrático, o mais importante e interessante da história do pensamento grego, onde se analisaram profundamente os problemas metafísicos, deu-se prioridade à ética. E se Cícero a definia como “moralis scientia”, S. Tomás de Aquino acrescentava “scientia moralis docet hominis sequi rationem” («a ciência moral ensina os homens a seguir a razão»).
A política tem regras, mas também tem riscos.
O político, tal qual o cidadão comum, tem de ser honesto, interessado, justo, nunca desprezando o elemento legal e ético na sua conduta, impondo a si mesmo o cumprimento da lei, defendendo a instituição que serve, tendo por finalidade o bem comum. É por isso que a suspeita tem de estar permanentemente ausente, mesmo percebendo que o recurso a novos comportamentos e práticas, a audácia e o bom discurso já não são, em definitivo, os elementos de decisão de todos os cálculos. Quem lidera tem obrigação de pesar todos estes pressupostos. De ter os pés bem assentes na terra. De transmitir confiança. De retirar da sua conduta toda e qualquer prática que possa induzir à suspeita ou à desconfiança.
Infelizmente o desvio no poder existe, chegando ao cúmulo de recorrerem a processos poucos claros e aconselháveis, procurando os “melhores” meios para atingir os determinados fins, valendo-se de subterfúgios e habilidades como sejam novos/velhos esquemas de concursos, compras de bens para o Estado, parcerias, negociatas esquisitas, despesas de representação, etc., etc., etc.
Neste triste espetáculo, qual carnaval sem data marcada, onde a ética desaparece (quase) por completo, fazendo com que isto bata mesmo no fundo e, todos (sem exceção) sejam considerados “farinha do mesmo saco”, é tempo de acabar com esta mentalidade doentia. É que “à mulher de César não é preciso sê-lo. É também preciso parecê-lo”.
E independentemente de argumentos, considerações, estatuto, cargos ou distinções, a ética e a moral, ambas de mãos dadas, continuam a ser os elementos necessários para a avaliação correta de todo o procedimento humano.
Com a análise das regras, vamos então aos riscos. É tempo de alguns políticos perceberem que o risco é este: Com a prática liberalóide de uma vergonhosa governação sem pés nem cabeça, apostando no apoio aos mesmos de sempre e um comportamento onde a ciência moral continua completamente ausente, proceda-se como no velho oeste. Também aqui, no cantinho-à-beira-mar-plantado, o rio é o mesmo e tem de ter o mesmo destino: ir sem voltar. Sem regresso.
Precisamos urgentemente de novos/outros políticos.
Por: Albino Bárbara


