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Conclusão da Linha da Beira Baixa e ligação de Vilar Formoso à fronteira na lista dos projetos prioritários

Versão final do Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI) de elevado valor acrescentado passou de 30 para 59 projetos, mas voltou a excluir IC’s da Serra da Estrela

A conclusão da modernização da Linha da Beira Baixa, entre a Covilhã e a Guarda, e a ligação de Vilar Formoso (IP5) à fronteira ganharam o estatuto de prioritários no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI) de elevado valor acrescentado. Estas duas obras, que já constavam do documento final do grupo de trabalho criado pelo Ministério da Economia mas com menos relevância, juntam-se à conclusão da modernização da Linha da Beira Alta entre Aveiro e Vilar Formoso. De fora continuam os Itinerários Complementares (IC) 6, 7 e 37 na corda da Serra da Estrela.

No total, os três projetos envolvem um investimento estimado de 992 milhões de euros, sendo que a maior fatia vai para a modernização da Linha da Beira Alta (900 milhões). O restante é repartido pela eletrificação do último troço da Linha da Beira Baixa (80 milhões) e na ligação da A25 à autoestrada espanhola A62 (12 milhões de euros). Inicialmente constituído por 30 projetos prioritários a concretizar nos próximos oito anos, o PETI cresceu para 59 dois meses depois de ter sido divulgado e colocado em discussão pública. No setor ferroviário, o número passou de oito para 12, ou seja, mais quatro do que os elencados pelo grupo de trabalho para as infraestruturas de elevado valor acrescentado. Já nas estradas, o aumento é mais significativo, passando de duas prioridades (túnel do Marão e IP3) para 10. Isto porque o Governo acrescentou alguns projetos “last mile” [troços finais] ou de pequenas ligações, com valores de investimento baixos, entre as quais o troço IP5 Vilar Formoso-Fronteira.

De resto, o PETI identificou seis eixos prioritários com o “corredor do interior” a surgir com a finalidade de promover o «desenvolvimento de toda a região interior do país através da potenciação dos corredores internacionais, bem como da execução de projetos estruturais» para o seu crescimento. Segundo o documento, a que O INTERIOR teve acesso, entre esses investimentos estão a melhoria da via navegável do Douro, a consolidação do corredor ferroviário Porto/Aveiro-Vilar Formoso, o fecho da malha ferroviária Covilhã-Guarda e a ligação Vilar Formoso à fronteira espanhola. No caso da conclusão da modernização da linha da Beira Baixa, entre a Covilhã e a Guarda – obra parada desde março de 2009 –, considera-se que contribuirá «não só para descongestionar a linha do Norte e a linha da Beira Alta, bem como permitir canais alternativos ao tráfego internacional de mercadorias a partir das regiões da Grande Lisboa e Sul de Portugal, aumentando significativamente a capacidade de ligação à fronteira de Vilar Formoso». A primeira versão do PETI concluía também que vai dar resposta às necessidades de mobilidade de pessoas nesta região.

Já a ligação do antigo IP5 à fronteira é um projeto transfronteiriço com 3,5 quilómetros de extensão que pretende dar continuidade, em perfil de autoestrada à A25, evitando a travessia urbana de Vilar Formoso e de Fuentes de Oñoro. «A implementação deste projeto pressupõe a introdução de portagens nesta extensão adicional da A25», refere o grupo de trabalho, que prevê um tráfego estimado de 10 mil veículos por dia. No total, o Governo estima que estes 59 projetos impliquem um investimento de 6.067 milhões de euros (metade desse montante virá dos fundos comunitários), mais mil milhões do que o ponderado pelo grupo de trabalho nas 30 infraestruturas que identificou em janeiro.

Presidente da CIMBSE alerta para «engodo eleitoral»

A inclusão da conclusão da linha da Beira Baixa entre a Covilhã e a Guarda na lista das obras prioritárias do Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI) pode ser «um engodo eleitoral».

O aviso é de Vítor Pereira, presidente da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE). «Lamento dizê-lo, mas não podemos deixar de dar conta que este relatório surge a poucos meses das eleições europeias, portanto, temo que isto seja mais um engodo eleitoral e que, de facto, não passe disso», declarou anteontem o também autarca da Covilhã, eleito pelo PS nas últimas autárquicas. Isto porque o plano tornado público «não apresenta nem o montante nem a calendarização do investimento» em causa. «Nestas coisas, a experiência diz-nos que temos de ter algum cuidado», sublinhou Vítor Pereira, recordando que esta obra «já devia estar realizada». Por outro lado, o presidente da CIMBSE lamenta que os IC’s da corda da Serra continuem arredados das intenções de investimento do Estado. «Continuamos sem estradas fundamentais para desencravar a região e para se inverter o círculo de despovoamento, de envelhecimento e de desertificação. Isso só se pode fazer com projetos dinamizadores da economia e a verdade é que não vejo essa preocupação plasmada nos documentos do Governo», criticou o autarca.

Luis Martins Ligação do antigo IP5 à fronteira vai evitar a travessia urbana de Vilar Formoso e Fuentes de Oñoro

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