Os moradores e comerciantes do Tortosendo, na Covilhã, sentem-se «prejudicados» com as obras que decorrem «há mais de um ano» no centro da vila, nomeadamente na zona antiga (Praça e zona das Machedes). Segundo “O Interior” apurou junto de alguns lesados, as obras arrastam-se indefinidamente e ninguém sabe ao certo o que vai ser feito no local ou qual a “nova cara” daquela zona central terminados os trabalhos. É que até agora, e mesmo depois de um abaixo-assinado com 30 assinaturas e a colocação de cartazes a questionar as obras, os habitantes não conseguiram obter qualquer informação da Junta de Freguesia.
«Apenas nos disseram que a responsável pela obra era a Câmara da Covilhã», diz o proprietário de um estabelecimento comercial, que não se quis identificar por temer alguns constrangimentos à sua actividade, para quem «a Junta deveria ser o elo de ligação entre nós e a Câmara». Assim, resta aos moradores e comerciantes irem «adivinhando» o que está a ser feito naquela área, lamenta. Mas, pelo que pôde já constatar, tratam-se de «obras de remodelação» da praça que incluem a substituição das infraestruturas de saneamento básico e uma nova calçada, para além de um pequeno parque de estacionamento para quatro ou cinco viaturas. No entanto, considera não haver um «projecto específico» para aquela zona, tendo em conta que «um dia fazem e no outro desfazem as obras». Assim aconteceu com um muro de 1,5 metros de altura que foi construído em frente à Farmácia Moderna e na Calçada das Pontes. No primeiro caso, a estrutura quase tapava a entrada da farmácia, o que obrigou à sua demolição, enquanto que na Calçada das Pontes os trabalhadores tiveram que retirar a nova calçada por causa da formação de lombas causadas pelas infraestruturas de saneamento.
Para além dos constrangimentos na deslocação àquela zona, os comerciantes queixam-se ainda de «quebras elevadas» nas receitas assim que começaram as obras. Um outro comerciante, que também não se quis identificar por receio de represálias da Junta de Freguesia – tal como acontece com os restantes moradores e comerciantes com quem “O Interior” falou –, aponta mesmo para uma quebra de receitas na ordem dos «40 por cento» pelo facto do acesso automóvel à praça estar impedido. Para além disso, esta comerciante critica mesmo a falta de informação oficial sobre a respectiva obra. «Quando há uma obra pública, há uma maqueta ou um desenho acerca do que vai ser feito. Mas aqui não há nada», acusa. Já uma outra comerciante e habitante no local condena a ausência de esclarecimentos por parte dos responsáveis, pois apenas soube que a rua estava em obras assim que viu «os paralelos à porta de casa». Como se isso não bastasse, ficou impedida de sair com o carro, pois, mesmo à saída do seu portão, «surgiu» um buraco. «E se houvesse alguma emergência?», questiona, lamentando ainda que se encontrem impedidos de expressar livremente a sua opinião por terem medo de represálias da Junta. «Em pleno século XXI, isto é vergonhoso», critica.
Presidente da Junta de Freguesia minimiza críticas
Segundo consta na vila, as obras iriam ser inauguradas já no próximo dia 25 de Abril, mas face aos atrasos já ninguém parece acreditar nessa hipótese. Nem mesmo os próprios trabalhadores, como confessou a “O Interior” o encarregado da obra, Abel Santos. É que está previsto um calcetamento em granito, mas falta o respectivo «material» para que isso aconteça. «Se conseguirmos o material a tempo, vamos tentar que as obras estejam prontas para o 25 de Abril», sublinha, admitindo ainda que a obra «não estava projectada desde o início», pois «só há uns meses atrás» é que a intervenção «ficou definida». Quanto à alteração de alguns trabalhos, explica que houve algumas mudanças. «Acharam que não estavam bem e depois mandaram fazer de novo», justificou. Já Carlos Abreu, presidente da Junta de Freguesia do Tortosendo, admite que as obras «estejam um pouco demoradas» face a alguns «contratempos» próprios de locais «que nunca foram mexidos». Quanto às críticas de moradores e comerciantes, o autarca questiona «qual é a obra que não traz transtornos» e acrescenta que os trabalhos estão em curso para «beneficiar» a população em geral. «A praça vai ter mais dignidade e proporcionará uma maior mobilidade às pessoas», promete, prenunciando a «satisfação» dos moradores assim que as obras terminarem. Carlos Abreu refuta ainda que a obra esteja pronta para o 25 de Abril. «Nunca apontámos essa data, mas iremos inaugurar a nova praça dentro de poucas semanas», garante, referindo, por outro lado, a existência no local de uma maqueta com a indicação do custo e duração da intervenção.
Liliana Correia


