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Comerciantes da Guarda e Covilhã apreensivos

Com a aproximação do Natal, comércio tradicional pode ressentir-se da fraca procura

Às portas de mais uma quadra natalícia, os comerciantes da Guarda e da Covilhã mostram-se algo apreensivos relativamente ao futuro do comércio tradicional. Os grandes espaços comerciais e a falta de focos de atracção de pessoas às zonas históricas são os principais problemas apontados.

«É complicado abrir alguma loja na rua, porque as pessoas vão mais aos centros comerciais e a afluência aqui é muito pouca», constata Fernanda Gonçalves. Gerente de uma loja de roupa situada no centro da cidade da Guarda, lamenta a «falta de incentivos ao comércio tradicional. «Está tudo a fechar e não se desenvolve», diz. Há 48 anos na Praça Velha, Aníbal Pinto também sente os tempos difíceis que atravessa o comércio tradicional. O proprietário de uma das lojas de calçado em actividade mais antigas da Guarda revela que «as vendas actualmente são bastante pequenas». Sem hesitar, aponta a «falta de estacionamento» como a principal causa para esta quebra. «As pessoas desabituaram-se completamente de vir a esta parte da cidade. Esta zona deixou de ser o “ex-líbris”, porque a Guarda tem um clima muito frio e as pessoas a pé raramente se deslocam», refere. «Não quiseram fazer um parque subterrâneo com capacidade para 298 carros, e isso faz-nos uma grande diferença», lamenta Aníbal Pinto.

Para tentar reverter a situação, a Agência para a Promoção da Guarda tem neste momento uma candidatura para proceder à animação de Natal. «Para além de vários meios de divulgação, irá ter animação de rua, através das figuras da quadra natalícia, que vão percorrer as ruas da cidade ao longo do dia, a começar no início do mês de Dezembro», explica António Saraiva. O responsável refere que «a ideia é tentar captar pessoas para o comércio tradicional e criar dinâmicas diferentes para que se consiga criar um ambiente mais cativante para que as pessoas venham ter ao centro urbano». Um comboio turístico percorrerá também todo o centro histórico e, em paralelo, a Câmara da Guarda irá proceder à iluminação natalícia nesta zona da cidade.

Sinalética nas ruas da Covilhã «pouco ou nada adiantou»

Também os comerciantes da Covilhã atravessam dificuldades. Francisco Gabinete, gerente de uma sapataria, constata aquilo que há muito se sabe: «Estamos numa situação de crise. Os grandes espaços afastaram as pessoas do comércio tradicional, porque elas preferem ir a um espaço coberto e com estacionamento facilitado», isto, «apesar de termos a vantagem de ter um atendimento mais personalizado», atira. A «criação de novas infra-estruturas e espaços de interacção com o cliente» poderão constituir-se como algumas soluções a considerar, na opinião do comerciante. Refere, ainda, que «devia haver maior interacção entre a Associação [empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor] e a Câmara». Relativamente a esta problemática, o vice-presidente da Associação defende que se trata de uma «falsa questão». Apesar de admitir algumas «naturais diferenças de pensamentos», Miguel Bernardo defende que «é mais importante tentar resolver o problema do comércio e ter ideias, ao invés de perdermos tempo com esta discussão». Ainda assim, aproveita para esclarecer que «a Associação, durante vários anos, implementou várias acções de dinamização do comércio, acções que não tiveram o feedback pretendido». Nesse sentido, o dirigente constata que «existe por parte da autarquia uma grande relação e uma vontade de apoiar fortemente os comerciantes», pelo que «para não criarmos mais obstáculos, decidimos confiar nessa relação entre comerciantes e autarquia e este Natal estamos à espera do sucesso desse incentivo, que saudamos. Não vale a pena estar a gastar em duplicado», defende.

Por parte da autarquia covilhanense, na tentativa de dinamizar o comércio tradicional, foram colocadas sinaléticas nas ruas com os nomes dos espaços comerciais. Para Sofia Delgado, gerente de uma loja de brinquedos, apesar de não se «poder queixar», sente que esta solução «pouco ou nada adiantou». «Fica bonito, mas nunca ninguém me cá entrou a dizer que viu o nome da minha loja no placard», garante.

Rafael Mangana Clientes procuram preferencialmente os centros comerciais

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