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Coleccionadores

Saliências

Pesquisar pelos territórios mais improváveis mantendo sempre a esperança de encontrar a última caneta com aparo de madeira, ou a “mais única” feita em 1945, pela Parker, em ouro, isso são extravagâncias de coleccionadores. Conheci os que compravam cachimbos, os de relógios de parede com mecanismos feitos à mão, os de objectos dos bombeiros. O maior de que me lembro e fascinava pela procura constante foi o Manolo Sobral que veio a ter um museu dos bombeiros em Valença do Minho com o seu nome. Mas que diabo, o museu alberga as suas colecções e daí que não há homenagem mas sim reconhecimento dos factos. Gostava de ouvir as suas explicações/histórias das incontáveis peças na casa de Afife. Também o milionário Berardo tem uma colecção de quadros que precisa de um museu. E a colecção Thyssen hoje em Madrid? Há imensos coleccionadores, guardadores de passados, de peças, de objectos como se de pessoas se tratassem. São histórias de paixão. São momentos que cada objecto trouxe. Há moedas de ouro e prata, carrinhos, relógios, botões de punho, tabuleiros de xadrez e muitas outras obras criadas para estes seres que tudo arrecadam.

Mas a par com estas figuras ímpares andam os coleccionadores de bonecos Kinder, os que guardam pacotes de açúcar, os da caneta plástica, os de caixas de bombons, etc. Pululam as instituições, os loucos por canetas de propaganda. Têm milhares delas, sem qualquer valor e tratam-nas como relíquias. Lá estavam ontem duas coleccionadoras de pacotes de café. Ainda disse que quando morressem tudo aquilo era lixo, mas não demovi a colecção. Naquela hora, carteira carregada de pacotinhos de açúcar e café eram possuídas da doença de Berardo, Thyssen e Bornemisa. O desassossego tem destes encantos ou armadilhas. Uma colecção para cada bolsa?

Por: Diogo Cabrita

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