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Clínica ou “Açougue”

Depois de ver o programa “Prós e Contras” sobre o aborto, transmitido na RTP no pretérito dia 30 de Outubro, conclui-se que não contribuiu para esclarecer a opinião pública, mas, graças à moderadora, para avivar os problemas e incendiar os ânimos.

Foi triste ouvir dos participantes que vão despenalizar o aborto e criar clínicas para auxiliar os pobres (…). Isto é uma das afirmações mais humilhantes que podem dizer à mulher. É como quem diz: “Façam filhos que nós cá os eliminamos”. A que ponto chegou a sociedade? Sabe-se lá se o único prazer desses pobres é fazer filhos ou se, numa noite fria, se abraçaram para se aquecerem mutuamente. Que sociedade tão pérfida e hipócrita é esta em que vivemos, que não sabe ver o problema no seu todo, saber em que circunstâncias se deu o início da gravidez. Este é o ponto principal para se auxiliar alguém que tenha um deslize ou um erro inocente, ou mesmo propositadamente, para se criar mecanismos no sentido da vida e nunca da destruição, porque, acima de tudo, está a dignidade da mulher. Parte da sociedade e dos governantes preferem fechar os olhos porque é mais económico e de imediato se resolve o problema, esquecendo que já somos poucos e velhos, dando oportunidade aos estrangeiros de nos conquistarem sem guerras. Talvez à custa dos culpados pobres as meninas “queques” venham ter um porto de salvação para a sua ignorância de não saberem fazer sexo e não compreenderem como ficaram grávidas com as suas brincadeiras. Deus talvez se tivesse enganado ao iniciar a Humanidade, para uns foi com a costela, para outros foi com a costeleta.

António do Nascimento, Guarda

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