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Câmara da Guarda obtém 10,8 milhões de euros com visto do Tribunal de Contas

Após alguns contratempos, o plano de saneamento financeiro da autarquia, aprovado em junho do ano passado para reestruturar dívida de 91 milhões, recebeu finalmente luz verde

Respira-se de alívio na Câmara da Guarda. Após quase oito meses de espera e vários pedidos de esclarecimento e de correções, o Tribunal de Contas (TdC) aprovou, na passada quinta-feira, o plano de saneamento financeiro do município da ordem dos 10,8 milhões de euros, anunciou o presidente da autarquia na reunião do executivo da última segunda-feira.

«Este visto é o reconhecimento do trabalho exaustivo que temos feito nos últimos meses, penso que, da nossa parte, foi uma boa decisão de gestão mas que demorou tempo a tornar-se realidade», admitiu Álvaro Amaro. O autarca social-democrata considerou que este é «um momento importante para a economia da Guarda e para os nossos credores», pois vai originar «uma boa injeção de dinheiro». Sê-lo-á também para «a gestão do município», já que permitirá libertar «alguns recursos por aquilo que os credores deixam de nos debitar», acrescentou. No entanto, o edil lembrou que o plano vai implicar novos encargos nos próximos 14 anos com os dois empréstimos bancários contraídos junto do BPI (6 milhões de euros) e do Crédito Agrícola (4,8 milhões).

«Se este plano de saneamento funcionar, assim como a contenção financeira e o aproveitamento dos fundos comunitários que vamos fazendo, não teremos que recorrer ao Fundo de Apoio Municipal e aumentar para os valores máximos as taxas municipais», sublinhou Álvaro Amaro. Apanhado de surpresa com esta novidade, o vereador socialista Joaquim Carreira declarou aos jornalistas no final da reunião que a decisão do TdC vai «ajudar» à gestão do município. «Não se esperava outra coisa, mas só agora reuniu condições para ter o visto. Se ficam à disposição da Câmara recursos financeiros que não estavam previstos, a cidade, a região e o concelho só têm a ganhar com esta aprovação», afirmou o único eleito da oposição presente na sessão.

O valor inicial do plano de saneamento financeiro, que foi aprovado em 2014 pelo executivo e pela Assembleia Municipal da Guarda, era de 12,9 milhões de euros, mas foi ajustado após um acórdão do TdC não ter considerado como dívidas, por já terem sido pagas, cerca de quatro milhões de euros. Esta alteração levou a que o valor inicial baixasse para perto de 6,5 milhões de euros, mas o município resolveu incluir mais cerca de quatro milhões de euros de dívidas, incluindo 1,6 milhões de euros do Programa de Regularização Extraordinária de Dívidas (PRED), para que sejam pagos em 14 anos e não em quatro. Segundo Álvaro Amaro, este saneamento financeiro vai servir para a Câmara «minimizar o problema da dívida herdada do anterior executivo socialista», no valor global de 91 milhões de euros.

Joaquim Carreira propõe louvor à Psiquiatria

da ULS

Nesta sessão, Joaquim Carreira propôs um louvor aos técnicos do serviço de Psiquiatria da ULS da Guarda e que o executivo fizesse uma visita ao «edifício marginalizado» daquela especialidade.

Tudo por causa do trabalho divulgado pelo documentário de Pedro Renca, “Esta é a Minha Casa”, sobre o quotidiano de doentes mentais seguidos no seu domicílio por enfermeiros da Psiquiatria guardense. O socialista abordou ainda o último espetáculo da “morte do Galo”, no Carnaval, dizendo que não correu da melhor maneira. «Foi pobre e não envolveu a população como nas edições anteriores», declarou. Na resposta, Álvaro Amaro assumiu que é preciso inovar: «Enquanto for presidente da Câmara, projetar o Carnaval na Guarda desta maneira nunca mais. É preciso refletir sobre este evento para criar uma marca enquadrada numa perspetiva diferente», assumiu. Na segunda-feira, o executivo aprovou, por maioria, a abertura do concurso público para a requalificação da Rua do Comércio. Joaquim Carreira absteve-se alegando não ter tido acesso aos projetos.

Alguns moradores da Estrada do Barracão defendem que a autarquia deveria aproveitar a requalificação deste troço para instalar o saneamento básico naquela zona da Guarda. Confrontado com alguns testemunhos, O INTERIOR questionou o presidente da Câmara sobre o assunto, mas Álvaro Amaro afastou essa possibilidade de forma taxativa. «Isso não está previsto no âmbito desta empreitada, mas não há obras perfeitas. Além disso, este não é o tempo certo para fazer o saneamento básico daquela área porque não há dinheiro para tudo», respondeu o presidente da Câmara.

Luis Martins É «um momento importante para a economia da Guarda e para os nossos credores», pois vai originar «uma boa injeção de dinheiro», disse Álvaro Amaro

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