A Câmara de Belmonte inaugura domingo o Museu Judaico e um Centro de Estudos Judaicos Adriano Vasco Rodrigues, situados num mesmo edifício na zona histórica da vila. Trata-se do imóvel onde funcionou o primeiro Colégio de Belmonte, adquirido e recuperado pela autarquia para perpetuar a história da comunidade judaica em Portugal e sobretudo a sua existência na vila de Pedro Álvares Cabral ao longo dos séculos.
O museu vai dar especial atenção aos hábitos quotidianos dos judeus portugueses, nomeadamente os referentes à alimentação, vestuário, profissões e seus utensílios, à habitação, bem como às práticas cerimoniais. Para tal, estarão expostos objectos de culto e religiosos, vestuário, instrumentos de trabalho e domésticos, livros e numerosa informação sobre a vivência desta comunidade no nosso país. A ideia, segundo Elisha Salas, actualmente na sinagoga do Porto mas que esteve em Belmonte até ao ano passado, é proporcionar aos visitantes uma «visão completa do judaísmo em Portugal». O rabino considera o projecto «extraordinário» e «muito importante» para os judeus, uma vez que vai mostrar toda a história da comunidade no «Portugal de Sefarad». Será também é um «importante centro de informação mundial para os “marranos”», acrescenta Elisha Salas. Para tal será também apresentado o livro sobre o museu e a obra “O Resgate dos Marranos Portugueses”, de David Canelo. A cerimónia ficará completa com a inauguração do Centro de Estudos Judaicos Adriano Vasco Rodrigues, historiador e antigo Governador Civil da Guarda.
Para a RTSE, este é o elemento que faltava para implementar a Rota das Judiarias. Trata-se de um projecto turístico, cultural e religioso que vai ligar Belmonte – onde estão concentrados a maior parte dos judeus da região –, Covilhã, Guarda, Fundão, Pinhel, Gouveia, Linhares da Beira, Trancoso, Celorico da Beira e Penamacor, cujos centros históricos escondem inúmeros vestígios do protagonismo dessa comunidade na região. Em Belmonte, a história dos judeus remonta ao século XIII (1297) e subsiste ainda hoje com organização e cumprindo os principais ritos religiosos. A vila possui já uma sinagoga, templo aberto ao público em 1996 e um cemitério no mesmo espaço que o cristão, aos quais se acrescenta agora o Museu Judaico. Este equipamento integra um conjunto de espaços museológicos que o município está a concretizar. Depois do Ecomuseu do Zêzere, em funcionamento na Tulha dos Cabrais, a autarquia conta inaugurar o Museu do Azeite a 25 de Abril, enquanto o Centro de Interpretação dos Descobrimentos, a instalar no Solar dos Cabrais, e a musealização das salas do castelo estão actualmente em execução.
Luis Martins


