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Alvendre «revoltado» com o provável aumento do tráfego

População não se conforma com o facto de todos os veículos que saírem da A25 em direcção à Guarda terem que passar pela aldeia

A população da aldeia do Alvendre, no concelho da Guarda, não se conforma com a mais do que provável possibilidade de todo o tráfego que sair da A25 em direcção à cidade ter que passar obrigatoriamente pela estrada que atravessa a localidade. No entanto, dado o avanço dos trabalhos de construção do único acesso da Guarda à A25, a Junta de Freguesia já não acredita muito na possibilidade de uma alternativa para desviar o trânsito da estrada estreita e sinuosa do Alvendre.

«Estamos descontentes porque o trânsito vai começar a passar todo pela aldeia e a estrada não tem capacidade para suportar tanto tráfego», salienta Fernando Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia. «Vai pôr em causa o nosso sossego e segurança», reforça. Na sua opinião, uma «boa alternativa» era a construção do acesso junto ao parque de repouso do IP5 até ao IPG. Também o facto dos acessos dos caminhos públicos terem sido «estragados», sem que tenham merecido a respectiva reparação, motiva desagrado da população daquela aldeia do concelho da Guarda. Do mesmo modo, a maior parte dos caminhos rurais estão «intransitáveis», o que faz aumentar a a «revolta» dos habitantes. «Quem cá fique que se desenrasque. Isto não pode ser assim», avisa Fernando Gonçalves. Já foram realizadas várias reuniões com a Câmara da Guarda para apresentar o «descontentamento» da freguesia, mas ainda não foi encontrada nenhuma solução para o problema. «Dizem-nos que vão falar com o Instituto de Estradas de Portugal (IEP) e o ministro dos Transportes para ver se arranjam uma alternativa, mas não creio muito nessa possibilidade devido ao estado avançado das obras», refere o autarca do Alvendre.

«Não percebo porque é que não fazem mais quatro ou cinco quilómetros desde a ponte do Alvendre até ao actual acesso do IP5», interroga-se. Neste sentido, «o óptimo seria conseguir fazer desviar o trânsito para outro lado», mas caso não seja possível exigem a colocação de semáforos ou de bandas sonoras de modo a fazer abrandar a velocidade. De resto, a estrada do Alvendre foi arranjada há cerca de cinco anos e «já começa a ficar deteriorada», muito por culpa do aumento do tráfego de veículos pesados desde que foi feita a ligação a Vila Franca das Naves e que se iniciaram as obras de construção do acesso à A25. É que se os ligeiros até podem não fazer grandes estragos, já os camiões «estragam tudo», garante. Aliás, desde que foi feita a ligação a Vila Franca das Naves que o tráfego no Alvendre aumentou um «bocadinho», mas caso nada seja feito vai aumentar um «bocadão», sublinha. «Quando é mudar para melhor ficamos contentes, agora quando é para pior é natural que as pessoas se manifestem», reforça Fernando Gonçalves.

Entretanto, as obras estão paradas há algumas semanas devido a um processo interposto por um empresário contra o IEP devido a expropriação de terrenos. Recorde-se que as previsões mais optimistas apontam para que a duplicação total do IP5, entre Vilar Formoso e Albergaria-a-Velha, que representa um investimento global de 50,3 milhões de euros numa distância de 166 quilómetros, fique concluída em Junho de 2006. Da extensão total a ser intervencionada, a Lusoscut vai duplicar 50 quilómetros do actual traçado e proceder à construção nova, com abandono do actual traçado, de 67. A empresa concessionária prevê ainda o aproveitamento do actual traçado num sentido de circulação em 40 quilómetros, bem como a construção de um traçado variante no sentido contrário, exactamente com a mesma distância. De referir ainda os cinco quilómetros do lanço do IP1 entre Albergaria e o nó do IC2 que já estão concluídos.

Câmara da Guarda quer acesso à A25 por «via dupla»

Em Março, quando ainda era presidente da Câmara da Guarda, Maria do Carmo Borges, afirmou a “O Interior” que esperava que a ligação entre o acesso da Guarda à A25, que está a ser construído na zona do Alvendre, e a rotunda do Rio Diz , na Viceg, fosse feita por «via dupla». A ex-autarca parecia assim conformada com o único acesso que a cidade vai ter à futura auto-estrada, já que a outra possibilidade «defendida» pela Câmara de construção de uma entrada à A25 junto ao Instituto Politécnico, pelo Tintinolho, não vingou. Ainda assim, a agora Governadora Civil da Guarda acreditava que ali fosse construído «pelo menos» o acesso ao actual IP5. Quanto ao facto de, possivelmente, aldeias como a Velosa (Celorico da Beira) ou as Amoreiras do Mondego (Guarda) ficarem com melhores acessos à auto-estrada do que a própria capital de distrito, Maria do Carmo admitia ser esse um cenário que, «por ventura», vai mesmo ser uma realidade. Mas segundo a ex-autarca, esta condicionante resulta do facto das pessoas na Guarda «se terem habituado a que quanto pior, melhor. Espero que esse paradigma nos deixe», afirmou. Com a mudança de Governo, Maria do Carmo Borges espera que o mote para a cidade passe a ser «quanto melhor, melhor».

Ricardo Cordeiro

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