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Álvaro Amaro quer ajudar, mas receia que não lhe paguem a conta

Autarca guardense disposto a ajudar agricultores afetados pelos incêndios

Instituições, agricultores, autarcas e empresários da Guarda ficaram a conhecer as medidas de apoio aos afetados pelos incêndios durante uma reunião realizada na Câmara da Guarda na sexta-feira.

Em declarações aos jornalistas, Álvaro Amaro alertou para que situações como esta sejam resolvidas de forma «muito mais célere e muito menos complicada». «Nós não queremos que as pessoas abandonem as suas terras», acrescentou o autarca guardense, que avisou que se isso acontecer «ficamos com menos gente e assim para o ano arde com mais facilidade». O edil considerou que o processo de concessão de apoios «ainda está muito complicado» porque «há regras a cumprir», mas disse que não aceita, «em circunstância alguma», que um pequeno agricultor fique sem o seu palheiro. E avisou: «Se não conseguirem vencer as burocracias para ter esse financiamento a Câmara vai substituir-se. Mas o município não é elegível, pelo que posso vir a fazer essas despesas e não obtenho financiamento nenhum».

Para Álvaro Amaro, os «pequenos contrassensos» que existem podiam ser resolvidos se o Governo «percebesse que, além da prioridade em absorver os fundos comunitários, pudesse também disponibilizar uma dotação». E lembrou que em maio passado o Governo publicou um decreto-lei «a isentar de muitas regras da contratação pública, a isentar a administração do Estado e o município de Vila Nova de Ourém» por causa da visita do Papa. «Porque é que agora, que o país se viu assolado com esta tragédia humana e económica, esta flexibilidade e solidariedade não é ainda maior?», questionou o edil guardense, garantindo que é preciso procurar «soluções mais pragmáticas». Contudo, alertou que a sua vontade em ajudar os agricultores afetados pode esbarrar num pormenor: «Eu depois apresento a conta e não me pagam. Há bloqueios que já não deviam existir nesta altura», lamentou.

Respondendo ao repto lançado pelo autarca, a diretora regional da Agricultura e Pescas do Centro recordou que o FEDER «é um fundo com regras específicas, isto é, uma ajuda que se destina à reposição do potencial produtivo». Adelina Martins acrescentou que quem repõe é a pessoa que produzia, logo não pode ser a Câmara. Ainda assim, a garantia deixada pela responsável é que haverá ajuda para todos. «Na medida 6.2.2, mercê da revisão intercalar do PDR 2020, passou a ser possível a elegibilidade a partir dos 100 euros. Logo os pequenos agricultores estão diferenciados muito positivamente, que é a ajuda até aos 5 mil euros ser a 100 por cento», adiantou Adelina Martins.

As candidaturas estão abertas até 30 de novembro, mas só para os agricultores afetados pelos primeiros incêndios. Quando questionada sobre quanto tempo demorarão a chegar os apoios, Adelina Martins lembrou que estão agora a decorrer as candidaturas, «a seguir vamos analisá-las com a maior brevidade e a partir desse momento as pessoas já podem ir fazendo o seu investimento». Para os incêndios mais recentes tudo vai depender da data de abertura das candidaturas ou da data em que sejam disponibilizadas as regras.

Sara Guterres Representantes do Ambiente, Florestas e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro reuniram na Guarda

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