Em Pousade, concelho da Guarda, ninguém votou no último domingo, isto apesar das portas da sede da Junta de Freguesia, onde esteve instalada a mesa de voto, ter sido aberta à hora legalmente estipulada. Esta foi a forma de protesto encontrada pela população para mostrar o seu descontentamento com a localização prevista para a instalação de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).
Joaquim João Marques, presidente da Junta de Freguesia, explica que a população está contra a construção de uma ETAR, por parte da Águas do Zêzere e Côa (AZC), «num espaço ecológico» junto a uma entrada da povoação, na estrada da Sequeira para Pousade, e «próximo a uma linha de água, onde temos um campo relvado, um parque de merendas de recreio, com árvores, propicias ao prazer de desfrutar de uma paisagem hídrica», contesta. «Vêm agora impor-nos uma ETAR, sem conhecimento da Assembleia de Freguesia, da Junta e da própria população», critica, sublinhando que Pousade «não quer ter uma péssima porta de entrada na nossa terra», alerta o autarca. No entanto, faz questão de frisar que a população quer a ETAR na localidade «e o mais rapidamente possível», mas num local «digno». De resto, a Junta já apresentou uma proposta de localização alternativa, «mais a jusante» do local onde a AZC quer construir aquele equipamento. Aliás, o proprietário do terreno proposto pela Junta «prontifica-se a negociar com a AZC» e «para nós é muito melhor, porque a povoação já não é afectada, quer pelos maus cheiros, quer nos recursos hídricos», reforça Joaquim Marques. Entretanto, a população assinou um manifesto para apresentar «superiormente», no Ministério do Ambiente e a outras entidades do domínio ambiental, «para que se veja a podridão que querem lançar sobre Pousade», indica o autarca. Esta freguesia do concelho da Guarda tem inscritos 255 eleitores.


