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A parolada…

Editorial

1. Depois de 308 dias, Espanha tem finalmente governo. Não que os nossos vizinhos não tivessem governo, que tinham, mas era um governo em “funções”, um executivo que geria o dia-a-dia sem poder fazer reformas ou assumir compromissos que mudassem as políticas ou as grandes opções do Estado. Muitas vezes glosávamos com o facto de Espanha crescer mais do que Portugal (no último ano Espanha cresceu 3%) “sem ter governo”. Mas tinha, tinha o governo mais corrupto da Europa; tinha o presidente de governo, Mariano Rajoy, que abrigava mais negociatas na Europa; tinha um governo do Partido Popular que ganhou as mais fragmentadas eleições da história de Espanha. Duas vezes. Mas um governo e um Partido Popular que, de tão putrefactos, ninguém quis apoiar durante 308 dias. Porque 75% dos espanhóis estavam cansados de tanto regabofe, de tanto esquema, de tanto negócio entre amigos, de tanto compadrio e de tanto roubo ao erário público… Porém, perante tanta divisão, foi, assim mesmo, por duas vezes, o partido mais votado. Ninguém queria Rajoy, mas as duas vitórias eleitorais que somou em meio ano tornaram-no imprescindível. 308 dias depois, Espanha volta a ter governo, com o senhor Rajoy, com o mesmo presidente que nos últimos quatro anos permitiu que Espanha se tornasse num terroir de corrupção. 308 dias depois, o PSOE absteve-se para permitir que as instituições voltassem a funcionar.

2. Enquanto na Guarda Álvaro Amaro diz que só em março decide se irá recandidatar-se, hesitante entre continuar na “mais alta” ou “arriscar” uma candidatura em Coimbra – se o PSD local assim o desejar e as sondagens assegurarem resultado confortável –, um pouco por todo o lado vamos ficando a saber quais os autarcas que se recandidatam. Em Viseu, por exemplo, e depois de especulações sobre um putativo regresso de Fernando Ruas, Almeida Henriques vai continuar e assegura que vai dar à cidade de Viriato uma capitalidade nunca vista (mais?!). Na Covilhã, enquanto o PSD não consegue unir as partes, é Vítor Pereira quem, naturalmente, assume a candidatura a novo mandato. Depois de três anos de atuação frouxa e alguns problemas no executivo, Vítor Pereira conseguiu sentar à mesa todos os vereadores, os da oposição e inclusive os do PS (!!!), evidenciando capacidade para fazer pontes e ultrapassar diferenças pessoais ou de circunstância. E, aproveitando o anúncio de recandidatura, consubstanciou uma ideia deveras interessante e já muitas vezes comentada entre os entusiastas das bicicletas: a criação de uma ciclovia entre a Covilhã e a Guarda, paralela à linha ferroviária (Linha da Beira Baixa). O autarca da Covilhã sabe que há imensos amantes e praticantes das “duas rodas” entusiasmados com o projeto de ligação da Covilhã ao Fundão por ciclovia (paralela à EN 18) e o projeto anunciado em parceria com a UBI para criar uma rede de bicicletas elétricas na Covilhã. E, agora, decidiu abraçar um projeto extraordinário, turisticamente relevante, ambientalmente excecional e saudável, e que será uma oportunidade para disfrutar de um percurso riquíssimo em beleza natural e paisagens únicas. Enquanto outros, como Álvaro Amaro, nos entretêm com festas parolas (pimba) e cortam árvores para exibir uma modernidade pirosa, há quem prefira valorizar o meio-ambiente e a natureza e escolha investir estrategicamente num futuro sustentado.

Luis Baptista-Martins

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