P – Porque decidiu candidatar-se à presidência da Mutualista Covilhanense?
R – Decidi candidatar-me, primeiro, pelo dever que tenho enquanto associado de dizer presente num momento importante para a instituição que subdivido em dois pontos. O primeiro é que a instituição precisa de fechar o seu processo de consolidação interna e o segundo é o da projeção e da abertura à comunidade. Esse trabalho exige hoje outro tipo de empenho, uma nova dinâmica de gestão e não poderia deixar de responder positivamente a esse desafio para o qual me sinto bastante confortável porque conto também com uma equipa da minha confiança e que tem as caraterísticas necessárias para levar a bom porto este projeto. A Mutualista Covilhanense cresceu muito nestes últimos anos, deixou de ser uma simples instituição mutualista para passar a ser uma verdadeira empresa social e é essa afirmação que pretendo conseguir firmar, juntamente com a equipa que me acompanha, na sociedade covilhanense.
P – Quais são as grandes prioridades para este mandato?
R – Rodam muito à volta do processo de consolidação e do programa de abertura à comunidade. Centrámos a nossa atuação em cinco grandes objetivos estratégicos que chamámos de compromissos. Temos cinco grandes compromissos, subdivididos em associativos, na área sócio-cultural, na área da saúde, na ocupação dos tempos livres e utentes e o da sustentabilidade económica e financeira. Nas atividades sócio-culturais vamos apostar fortemente na certificação de valências, nomeadamente na estrutura residencial para idosos no centro de dia e no serviço de apoio domiciliário. Vamos aprofundar o trabalho que o gabinete de sinalização para idosos em situação de solidão já está a fazer e vamos implementar, em colaboração com a Câmara, o programa de emergência social. Na componente da saúde, uma área muito relevante para a Mutualista, temos neste momento condições para alargar os serviços de saúde disponíveis aos associados, nomeadamente a parte da fisioterapia. Vamos implementar o programa “Prevenir para Ganhar”, no âmbito do POPH, que se destina à realização de rastreio de doenças cardiovasculares e ações de formação. Vamos também manter um conjunto de atividades que já se faziam na Mutualista, como palestras e sessões de esclarecimento de medicina preventiva e curativa. Na ocupação dos tempos livres dos utentes e associados a ideia é, aproveitando o espaço da antiga sede, desenvolvermos ateliers com atividades próprias como rendas, bordados, costuras e outras atividades lúdicas. Temos ali um espaço nobre, amplo e com boas condições de preservação.
P – Qual é a atual situação financeira da instituição?
R – A situação financeira está globalmente estabilizada. Agora, tem alguns pontos de desequilíbrio que têm que ser ultrapassados e que não criaram até hoje grande problema porque é uma instituição com uma solidez financeira muito relevante, mas podem vir a sê-lo no futuro. É uma instituição que vive uma situação que não é comparável com a maioria das instituições de solidariedade social ou outras Mutualistas que conhecemos. A componente financeira e da sustentabilidade futura é sempre muito relevante. Vamos concluir a candidatura ao fundo de reestruturação para as entidades da economia social e avançar com o programa de formação/ação que resulta de uma parceria com a União das Mutualidades Portuguesas. Temos que ajustar a estrutura da instituição à realidade do momento, mas também às expetativas que temos em relação ao futuro.
P – Quantos sócios tem a Mutualista atualmente? É um número que gostava de aumentar?
R – Temos perto de três mil sócios. Vamos promover uma campanha de angariação de sócios na instituição e criar o gabinete do associado, onde vamos ter diversos serviços de apoio social e administrativo para que sempre que o associado tenha alguma dificuldade burocrática se possa ali dirigir. Vamos também reformular o sistema de quotização, promovendo uma reorganização das quotas pagas em função da modalidade que é subscrita e que tem que estar em conformidade com o regulamento de benefícios da instituição. A nossa ideia é termos um sistema de quotas específico para que o associado possa beneficiar só de um serviço em vez de o onerar com uma quota mais elevada que permite o acesso a todos esses benefícios. Vamos também introduzir a chamada quota de solidariedade social para os associados mais carenciados com possibilidade de acessos às modalidades médicas e de enfermagem. Outro objetivo é a requalificação da sede social, não sob o ponto de vista de intervenção física, mas dotando-a com atividades.
P – Há muita gente a precisar de ajuda no concelho da Covilhã?
R – Há, infelizmente, na Covilhã como pelo país. A Mutualista desenvolveu um papel muito relevante no apoio aos mais carenciados e durante mais de quatro anos foi sempre uma porta aberta para todos aqueles que precisavam de uma refeição. Só há pouco mais de um ano é que foi contratado o apoio às IPSS no âmbito das cantinas sociais. A Mutualista Covilhanense já fazia isso quase há quatro anos de forma completamente gratuita. Esperemos que o futuro seja um bocado mais risonho e que este trabalho não seja tão necessário, a bem da sociedade toda.
P – O serviço de prestar essas refeições vai continuar?
R – Neste momento está contratualizado com as cantinas sociais do Estado, mas posso afirmar que, aconteça o que acontecer, a Mutualista terá sempre uma porta aberta para os mais necessitados.
P – Suspendeu o mandato de vereador na Câmara da Covilhã devido ao ato eleitoral. Vai reassumir essas funções quando for empossado?
R – Sim, vou reassumir. Fiz um pedido de suspensão temporária até dia 24 e após a tomada de posse voltarei a assumir as funções de vereador da Câmara Municipal.


