Ademais, o que é perfeitamente inibitivo do entendimento é o efémero do jornalismo. Donde das duas uma: ou o leitor, incoercívelmente empenhado no avanço da Grei, da qual se sente parte inseparável, não se deixa engolfar pelo diverso, que é intrínseco às notícias diárias, ou, “oiro sobre azul”, tem aptidão para uma síntese que, mais que o epifenómeno, lhe dá o continuado espectáculo do fundamento, o qual, visto ter o prospectivo no horizonte, é mais que uma diacronia. Se for este o caso, ou seja, um leitor com esta categoria, é um claro vidente.
O “clima intelectual colectivo”, para a criação do qual o jornal era “um meio adequado”, de que falava Ortega y Gasset, tal clima é, portanto – na melhor das hipóteses –, em boa medida, uma miragem. Explico-me melhor. Nem eu conheço o nível de jornalismo que se fazia em Espanha ao tempo destas vivências orteguianas, nem os meus propósitos, neste momento, vão além da lusa imprensa. E é imperativo declarar que se há um filósofo por quem sinto um profundo respeito e do qual me sinto incoercívelmente perto é do autor d’ A Rebelião das Massas, essa obra de um impressionante vidente.
Porque vivemos numa Nação, somos um dos seus elementos, sabemos que a Nação é detentora de uma idiossincrasia que nos enforma e da/ para a qual também somos contributos. Esta idiossincrasia é a identidade nacional e a identidade nacional é a síntese de que falo acima.
Que interessa à Nação? O contributo de cada partido político? Ou a convergência dos contributos dos diversos partidos? Qual é o mais apto a tirar o País do calamitoso estado em que se encontra? O que propõe uma distribuição de bens – que não existem – ou o que, desde logo, propõe a realização pessoal e prioritária, essa insubstituível fautora de felicidade? Cada um de nós considera-se com categoria para tomar o destino nas suas próprias mãos, ou, no fundo, sabe que o cargo que o partido lhe der é que o salvará? A prática dos partidos é a competência ou o carreirismo?
Qualquer um de nós – a menos que seja estúpido – sabe que, em Portugal, desde o 25-IV, houve, há, uma partidocracia e não uma democracia. Mais. Que as cúpulas partidárias são de tão mesquinhos horizontes que não lobrigam o interesse nacional, antes promovem o interesse das suas mais gradas figuras (e de todos os correligionários; até onde houver possibilidades…). As gradas figuras que não sabem sequer exprimir-se em Português, manifestamente não têm nível ético, mas passam de um partido de “esquerda” para as direcções das empresas capitalistas… A isto, que o leitor sabe tão bem como eu (escusamos de arrolar os nomes, claro), como reage no momento anterior ao depositar o voto na urna?
Sem quaisquer rebuços: no fundo, e é regra, os que têm “governado” desde o 25-IV são ignorantes mais ou menos profundos que, na melhor das hipóteses, estão ao nível da retórica.
Carreirismo em vez de competência, oportunismo em vez de honestidade, tudo porque a Educação nunca foi identificada como o que deve ser – um mundo de exigência, elevação.
Um jornal – pelos vistos dominado pelos invertidos e lésbicas – traz páginas inteiras – ilustrações de primeira página – com tais seres; de outro escreve-se que muda de editorial sempre que muda a cor do Governo (do que passa por ser o Governo, assim é que é correcto); um outro ainda dá-nos crimes de “faca e alguidar”, um acervo mais de notícias tontas e umas boasonas, cujo interior deve estar inversamente preenchido à extensão da nudez com que são apresentadas. Interesse e afirmação nacionais não lhes são inerentes e não é sem custo que se folheiam – salvaguardada a categoria de, digamos, uma dúzia de grandes personalidades. Da TV é melhor não falar e, para o Parlamento Europeu, foram algumas impagáveis figuras.
Como reage o leitor a esta insidiosa mistificação?
Guarda, 16-VII-09
Por: J. A. Alves Ambrósio



