Assumo funções como Chefe da Representação da Comissão Europeia no ano em que celebramos os 30 anos da adesão de Portugal à CEE, que foi indubitavelmente um momento histórico para Portugal e tão importante para a consolidação da democracia e da economia portuguesas.
Foi precisamente o fascínio pela Europa e o desejo de fazer parte ativa da construção europeia que me levou a sair de Portugal para prosseguir os meus estudos em Direito Europeu na Bélgica. Sou uma Europeísta convicta e acredito que o nosso futuro só pode passar pela consolidação do projeto europeu. Acredito que, apesar das diferenças, os povos da União Europeia têm muito em comum e partilham os mesmos valores fundamentais e princípios de respeito pela vida humana, Democracia, Estado de Direito e Solidariedade, visando a construção de uma sociedade igualitária, justa e livre. Como parte da União Europeia, somos mais: a cidadania europeia enriquece as nossas identidades nacionais, regionais e locais.
A Europa com a qual eu cresci – a Europa da paz, da prosperidade, do emprego e de um futuro que se projetava sempre melhor – tem sido posta continuamente à prova e a sua concretização dependerá sobretudo da capacidade de resposta de todos nós. Uma série de acontecimentos recentes podem deixar sequelas duradouras: o referendo que sufragou a saída do Reino Unido da União Europeia, a tentativa de golpe de estado na Turquia e as consequências da sua repressão, o contínuo fluxo de migrantes e o drama humano que daí resulta, os sucessivos ataques terroristas e episódios de violência que perturbam e ameaçam o nosso dia-a-dia.
Mas este é também um momento em que a Europa dá provas de que unida é mais forte. A dimensão e os recursos da União Europeia são hoje maiores do que nunca. O esforço coletivo está a fortalecer um sistema capaz de agir e reagir mais rápido, de criar condições ajustadas às empresas e de recuperar a confiança dos cidadãos. Hoje, os Estados-Membros são reconhecidos entre os países mais desenvolvidos do mundo, apresentando níveis de crescimento superiores a países como os Estados Unidos da América ou a China, e com uma taxa de empregabilidade em recuperação. No combate às desigualdades sociais somos também meritoriamente superiores, importando reconhecer o esforço com que temos acolhido aqueles que fogem da guerra.
Muitos dos desafios com que nos deparamos exigem uma maior responsabilidade coletiva e todos os Estados-Membros devem assumir perante os seus cidadãos as decisões que tomam em conjunto, evitando continuar a usar “Bruxelas” como uma desculpa e como algo externo. Como qualquer relação, esta tem muitas coisas boas a dar, já o demostrou, mas também pede compromissos.
Por: Sofia Colares Alves
* Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal


