Como podemos redefinir o discurso da esquerda à intolerância terrorista? A esquerda que tolerou o terrorismo, que foi pelos Tupamaros, pelo Setembro Negro, que vitoriou os Grapo, a ETA, o IRA, as brigadas vermelhas e tantos outros modos de responder ao Estado com a violência, como se posiciona agora perante esta barbárie terrorista em que todos somos alvos? Como se orienta o discurso pelos pobres e oprimidos? Os suicidas são a resposta dos pobres à opressão ocidental? As bombas nos aviões e nos comboios são a arma dos oprimidos pela ocupação do território árabe? O fanatismo religioso é um modo militar? A esquerda antiglobalização leva agora com uma guerra sem territórios, sem limites e sem previsibilidade para além da imaginação do horror. Podem envenenar-nos as águas das cidades. Podem distribuir a morte em latas de conserva. Podem explodir o metro, lançar gás nos espaços públicos. A religião utilizada como meio de criar homens bomba é legítima? Que legitimidade temos de responder? O que é aceitável como resposta? Ou não temos direito de resposta para além de condenar Israel à sua morte? Somos anti-semitas como a ultra direita? E a causa deste ódio ao Ocidente vem de quê? Vem dos apoios que demos ao totalitarismo árabe, vem da preservação no poder de incapazes e de príncipes vendidos ao petróleo. Mas também vem da leitura doentia do Corão. Há imensas interrogações para a esquerda que é quem deve encontrar uma solução para a escalada da intolerância que vem atrás do medo.
Por: Diogo Cabrita



