«Sinto que me foram criadas condições para não continuar a desempenhar funções na cidade da Guarda». A afirmação é de Ricardo Santos, o primeiro candidato oficial conhecido à Câmara da capital de distrito apresentado em Fevereiro e que passado pouco mais de um mês saiu da corrida. Os motivos oficiais para a desistência só foram conhecidos na última segunda-feira, na semana em que o CDS-PP vai apresentar a nova candidata à autarquia da Guarda.
Apesar de garantir que «não houve pressões de forma alguma» da sua entidade laboral para «a curto prazo» ir «trabalhar noutro local», o engenheiro informático do Hospital da Guarda não é muito claro na resposta: «Não quero entrar por aí. Agora, que posso dizer que a minha vida profissional não é o que era há uns meses atrás, posso», assumiu, reforçando que sente que «não tenho as condições que tinha há uns meses para continuar a desempenhar funções aqui». Ainda assim, assegura que «não» está arrependido de ter avançado como candidato: «Nunca, muito pelo contrário. Tenho pena de não poder continuar na Guarda e continuar a lutar na Guarda pelo CDS porque eu gosto muito e acho que poderia fazer muito por esta terra», realçou o alentejano, natural de Évora, que foi publicamente elogiado pelo líder dos populares, Paulo Portas, aquando da sua apresentação. Ricardo Santos salientou que «por uma questão de respeito para com os cidadãos, para o CDS e para a instituição a que me estaria a candidatar» não seria «coerente e idóneo» estar a avançar, «uma vez que por motivos pessoais e profissionais terei que me ausentar da Guarda a curto prazo», explicou. De resto, assegurou que «nunca houve divergências com a presidente da concelhia [que não esteve presente na conferência de imprensa]» e que «as ideias e a vontade de trabalhar se mantêm», mas «não estando na Guarda estaria a ir contra a minha maneira de pensar».
Também o coordenador autárquico do CDS-PP partilhou de algumas das «dúvidas» com que os jornalistas ficaram quando ouviram as explicações do ex-candidato: «Espero que o Ricardo depois me diga em concreto o que é que é e se houver alguma ponta de verdade ou alguma suspeita de que isso [pressões] tenha acontecido nada será como dantes aqui na Guarda. Digo isto porque noutros distritos do país isso já aconteceu», avisou.
Coligação com PSD «não era boa para o município, nem para o CDS»
Hélder Amaral defendeu que o «problema do país» é que «em muitos concelhos do interior de norte a sul do país se vive um clima de défice democrático e de puro caciquismo e perseguição política». O deputado adiantou que «fruto de ser coordenador autárquico» lhe chegam às mãos «situações suspeitas e como não quero fazer acusações gratuitas tudo o que vou fazer é investigar», assegurou. Sublinhou também que é «inaceitável» que as pessoas «independentemente do que pensam» possam ser «constrangidas em perseguir os seus sonhos só porque não são favoráveis ao poder instalado». «O Ricardo diz que não. Espero bem que não seja assim, mas fico com a mesma dúvida», reforçou. Questionado sobre a razão porque só agora foram dadas estas explicações, Hélder Amaral falou em «dificuldades de agenda».
O coordenador autárquico do CDS-PP indicou ainda que não há coligação na Guarda com o PSD «porque não chegámos a acordo», confirmando terem havido «negociações» que estiveram «muito avançadas». O acordo «não foi possível» porque «esta coligação não era boa para o município, nem para o CDS», sendo que «não eram os lugares que estavam em causa, mas sim uma perspectiva para o município que não é a nossa». «Nós fazemos coligações, negociando propostas. O que nos foi transmitido pelo candidato do PSD é que tinha liberdade total para fazer listas e programas e nós não fazemos coligações com um parceiro que tem liberdade total para fazer “o que lhe dá na real gana”», completou.
Cláudia Teixeira
O CDS-PP formaliza amanhã a sua nova candidata à Câmara da Guarda. Trata-se de Cláudia Teixeira, de 37 anos, formadora. A sucessora de Ricardo Santos à frente da lista centrista é apresentada pelas 17 horas, numa cerimónia agendada para o jardim do Quintal Medroso, junto ao Solar Teles de Vasconcelos.
Ricardo Cordeiro




