Um facto positivo do actual quadro político, é a segura mudança de líderes na Câmara da Guarda, com todas as virtudes que a renovação encerra: mudança de pessoas, de ideias e de métodos, mas também a expectativa do fim de vícios instalados e ligações promíscuas.
Joaquim Valente é um homem respeitado e traz essa esperança de renovação. Por outro lado duvida-se da sua capacidade de romper com um aparelho partidário restrito e pouco dotado de personalidades de valor, mas que padece dos males de todos os partidos que se arrastam no poder por 30 anos: inércia, amiguismos, jogos de interesses e pressões partidárias. Veríamos pois com muita surpresa o candidato socialista conseguir libertar-se desta teia.
Na área do P.S.D. dois nomes estão, desde já, lançados na corrida a candidatos: José Gomes e Crespo de Carvalho. Qualquer deles tem valor e capacidade para claramente ganhar a Câmara da Guarda. É uma oportunidade única, agora que é conhecida a não recandidatura de Maria do Carmo Borges, muito justamente indicada para Governadora Civil, um cargo adequado ao consenso, popularidade e simpatia da actual Presidente da Câmara.
O P.S.D., porém, tem um grande problema por resolver, com o partido incontornavelmente dividido, numa crise que tem vindo a agudizar-se nos últimos tempos.
A verdade é que o partido já se pronunciou sem margem para dúvidas. A expressiva votação para delegados ao Congresso, primeiro, e depois a rejeição de moção de estratégia distrital, não podem ter outro significado senão o de que o partido não quer a Drª Ana Manso como cabeça de lista à autarquia.
A dúvida é se esta situação de facto não fragiliza a candidatura de qualquer dos dois lados da sensibilidade partidária.
Imperiosamente, a candidatura do P.S.D. deve ser consensual e não fracturante; por isso deverá considerar-se a hipótese de uma 3ª via que congregue militantes e alargue o espectro da votação para outros quadrantes políticos – até porque há uma consciência pública de que a excessiva partidarização tem sido nociva ao desenvolvimento da Guarda. Manifestamente, Crespo de Carvalho reúne todas as condições para se assumir como 3ª via. Mas deve registar que só tem condições para avançar com o apoio do P.S.D.
A direcção do partido, entretanto, cometeu já outro erro de palmatória. É dos livros que o partido com maior handicap eleitoral tem vantagem em lançar primeiro o seu candidato. Isto parece não preocupar os actuais responsáveis, correndo até o rumor de que o candidato do P.S.D. seria conhecido, não já imediatamente a seguir ao Congresso, mas apenas em Junho. É uma táctica estranha, que permite ao Partido Socialista fazer todo o trabalho de campo e vender, sem oposição, as suas ideias…
Seja como for, as contas, por enquanto, estão baralhadas. E mesmo o Congresso pode não ajudar a clarificar estratégias, não sendo líquido que não surja também uma 3ª via pelo lado de António Borges, que subverta os actuais alinhamentos partidários.
Certo é que o P.S.D. tem agora, como nunca, uma oportunidade de ganhar a Câmrara da Guarda. E também é certo que dispõe de dois candidatos potenciais de elevado valor que não pode desperdiçar. O tempo joga a favor do Partido Socialista e o candidato do P.S.D. deve ser oficializado quanto antes. Um dos dois…
Por: Rui Quinaz


