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25 de Abril – Os donos da rua: camiões

Crónica Política

Continuamos a assistir à ocupação, por parte de camiões estacionados por toda a cidade, com especial incidência na área de S. Miguel, sendo esta a mais afetada, não só pelo facto de aqui haver mais lugares de estacionamento para o efeito, como também por ser uma das portas mais importantes para a entrada e respetiva saída da Guarda. Estes camiões ocupam não só os estacionamentos existentes nas zonas habitacionais, como também largas faixas ao longo da VICEG no acesso à A23 ou A25, na nova Avenida 25 de Abril a ser inaugurada com data que apadrinha o mesmo nome.

Sr. presidente, pergunto-lhe para quando a entrada em funcionamento do Parque TIR da PLIE? Por favor… Não diga que continua a faltar a segurança e que as casas de banho ainda não têm água… Pois se equacionar os gastos que são feitos em remendos de betuminoso ou outras intervenções nas vias, que necessariamente vão sendo executadas devido à degradação das estradas por força da utilização indevida destes carros de grande porte, por exemplo junto à nova rotunda da Estação, no eixo que acede pelo Rio Diz, junto às várias urbanizações residenciais na zona da Sequeira, os gastos serão maiores, e, por outro lado, melhora em muito a qualidade de vida residencial, para crianças que ainda brincam na rua, para ciclistas de fim de semana que se sentem afetados, para moradores que durante a noite assistem a alguns espaços “escondidinhos” propícios a praticas menos apreciadas. Vamos lá mudar isto … até porque temos alternativa!! E este problema já tem anos, pois o Parque TIR foi construído na PLIE com a intenção de retirar da cidade estes camiões, não podemos continuar no eixo das intenções. Apenas como alerta, no próximo dia 24, véspera de feriado, é melhor atuar antes que os camionistas comecem a estacionar onde tem sido costume, no eixo da VICEG, mesmo junto à ponte pedonal, pois esta, ao ser inaugurada como a nova Avenida 25 de Abril, vai parecer que os camiões aí estacionados estão em forma de protesto num verdadeiro ato de liberdade.

Esta zona da cidade que vai receber uma inauguração de nome, Avenida 25 de Abril, é ainda o eixo de um projeto global inacabado do programa Polis, pois, como é do conhecimento, pretendia-se que o Parque Urbano a implementar nesta zona fosse um espaço de grande atratividade, com múltiplas funções, como a atividade física, o recreio, o lazer e a cultura. Este projeto, inserido no Plano Estratégico da Cidade da Guarda (1996), inclui a construção de um Museu da Água, um Centro de Interpretação da História de Portugal, um Museu dos Têxteis, um jardim da Ciência um parque infantil, lagos artificiais, vários percursos pedonais e ciclovia, uma praia fluvial, uma área comercial, duas zonas habitacionais e parques de estacionamento.

A primeira fase está feita, é conhecida e tem uma inúmera utilidade por parte da população, com uma opinião unânime positiva, sendo este o mais completo espaço público da nossa cidade, mas, atenção Sr. Presidente, os bebedouros continuam sem água, e bem haja pela limpeza de jardinagem que se efetuou, mas o espelho de água parece ter que aguardar por um 10 de Junho presidencial…, Mas já foi bom!

Este projeto inacabado deveria ter por parte do atual executivo uma atenção redobrada, não só porque continuamos à espera da continuação da obra do Parque Urbano do Rio Diz, como também para potenciar o espaço restante por forma a torná-lo numa alavanca de desenvolvimento da nossa cidade e do nosso concelho, pois se o Turismo está a ser, e a meu ver, bem, a forte aposta na Guarda, há que tirar partido dos já existentes projetos que se encontram na gaveta dos anteriores executivos e que devem ser potenciados, gastámos muito dinheiro neles, comprámos fábricas e terrenos no Rio Diz para esse efeito e agora… NON STOP, há que aproveitar, pois quando os conhecer vai certamente apreciá-los, até porque são projetos de autor…

Sabemos que a conjuntura económica não é favorável, todos sabemos como é que a governação socialista deixou os “cofres” do município, mas uma vez que se aproxima um novo Quadro Comunitário de Apoio é a altura para nos candidatarmos aos fundos comunitários que nos possam ajudar a acabar o tal projeto. Creio que o todo deverá ser reavaliado, pois seguramente que um outro Centro de Interpretação da História de Portugal deixa hoje de fazer sentido, pois Belmonte reinou nesta área e devemos cada vez mais ter uma atitude complementar em termos geográficos e não individualista. O mesmo com o projetado Museu dos Têxteis, dado que no concelho da Guarda existem já dois, um nos Meios e um outro em Maçaínhas, que muito bem vão fazendo esta divulgação, promoção do nosso passado ligado ao setor servindo estes equipamentos como promoção ainda de outros produtos e culturas endógenas para os nossos meios rurais. Porém, os guardenses sabem que o Museu da Água, considerado como o “ex-libris” do Parque, seria o tal projeto. Haja é vontade política para que tal aconteça, a Guarda quer contar consigo Sr. presidente!

Por: Cláudia Teixeira

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