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Covilhã guarda água da barragem do Viriato para o Verão

Autarquia investiu em filtros de carvão activado para utilizar a água proveniente de nascentes e furos na Serra da Estrela

Com o Verão à porta e o cenário de seca existente no país, apesar dos chuviscos que têm caído nos últimos dias, aumentam as preocupações das Câmaras para poupar a água para o Verão. Com uma única barragem a abastecer o concelho, a do Viriato, a autarquia da Covilhã já se precaveu e desencadeou medidas para que a água não falte nas torneiras durante os meses mais quentes do ano.

«Neste momento, não está a sair nem um metro cúbico de água da barragem. Estamos a guardar toda a água da barragem para utilizar no Verão», assegurou Alçada Rosa, administrador dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS). Medida que, de resto, só é possível porque «se racionalizou todo o planeamento de água na encosta da serra», com um investimento da ordem dos 15 mil euros em filtros de carvão activado para que os SMAS possam «injectar a água [captada em novos furos e nascentes] na rede de consumo humano», explicou. É também esta água que está a ser utilizada no sistema de rega dos jardins públicos da cidade. A solução da Câmara, tomada antes da resolução de Conselho de Ministros, foi elogiada recentemente numa reunião em Coimbra, tutelada pelo ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional. «A Covilhã, em conjunto com Bragança, é um caso ímpar porque tomou medidas antes da preocupação do Estado», enalteceu Nunes Correia, garantindo aos covilhanenses que «não faltará água para consumo nas torneiras num ano de seca como este e com a barragem a cerca de três quartos de nível habitual».

Por enquanto, e mesmo que não chova durante o Verão, não há motivos para alarme nem serão tomadas medidas mais drásticas, como o corte de água. «Se por acaso tivermos que escolher, reduzimos as regas no jardim. Mas não é o caso», adianta Alçada Rosa, apelando no entanto à poupança dos munícipes nos gestos quotidianos.

Fundão estuda novas captações de água

O município do Fundão também se precaveu para o Verão e está a tomar medidas para que a água não falte nos meses mais quentes, como tem acontecido nalgumas localidades mais distantes da sede do concelho. As freguesias do Alto Zêzere, como Póvoa Palhaça e Quinta da Torre, bem como as situadas na orla do Pinhal, a partir de Silvares, são apontadas pelo vereador Henrique Dias como «as mais preocupantes», até porque foram as mais atingidas pelos incêndios de há dois anos. Nesse sentido, a autarquia está a trabalhar com a Águas do Zêzere e Côa (AZC) para «levar a água a estas populações em boas condições». Mas apesar do panorama não ser «muito favorável, não é dos mais preocupantes», salienta, assegurando que o abastecimento à população está garantido durante o Verão. «Em caso extremo, iremos abastecer os munícipes através de auto-tanques. Felizmente isso ainda não é necessário», refere. Entretanto, e para além de estudos sobre os caudais de água, a autarquia está a «remediar pequenas rupturas» no sistema de abastecimento e bocas-de-incêndio danificadas para não desperdiçar água e estuda novas captações de água. A rega dos jardins públicos também foi reduzida «ao mínimo», enquanto os munícipes são alertados para poupar através de “mailings”.

Penamacor alia-se a campanha da AZC

A «optimização» do sistema de rega dos jardins públicos foi a primeira medida tomada pela Câmara de Penamacor para poupar a água para o Verão. A autarquia passou a utilizar sistemas automáticos programados para regar os jardins durante a noite, podendo assim conservar por mais tempo a água na terra. «Fizemos algum investimento em optimização e rega-se apenas quando necessário e a determinadas horas do dia», salientou António Cabanas. Já no que se refere à água potável, o vice-presidente garante que há água «suficiente» para correr nas torneiras do concelho durante o Verão. «A barragem está a meio, mas temos água suficiente e em qualidade para abastecer o município», assegura. No entanto, a autarquia está a distribuir folhetos lançados pela AZC para consciencializar os penamacorenses a poupar a água nalguns gestos do quotidiano. Mesmo que não chova em grandes quantidades até ao Verão, António Cabanas considera que não haverá necessidade de cortar a água. Se a situação se complicar, a medida será então «cortar a rega».

Liliana Correia

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