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Corte de pinheiros polémico em Alvoco

CDU acusa Junta de Freguesia de cometer um «crime ambiental»

A polémica está de regresso a Alvoco da Serra, no concelho de Seia, após os eleitos locais da CDU terem denunciado segunda-feira o corte raso de árvores num pinhal pertencente aos baldios. Em comunicado, os comunistas acusam a Junta de Freguesia de estar a cometer um «crime ambiental» que pode acelerar a erosão dos solos e pôr em causa a regeneração dos pinheiros numa zona de declive acentuado.

Os dois eleitos da CDU na Assembleia de Freguesia sustentam que o corte raso é proibido por lei, «por se tratar de uma zona integrada no Parque Natural da Serra da Estrela», e adiantam que a Junta «não tem previsto qualquer plano de reflorestação» para aquela zona. Mais, referem que o corte prosseguiu mesmo depois do PNSE e da Equipa de Protecção da Natureza e do Ambiente (EPNA) da GNR terem levantado na semana passada dois autos de embargo por a legislação em vigor nesta matéria não estar a ser cumprida. «Numa atitude de arrogância e de afrontamento às leis do país, o corte indiscriminado de árvores prosseguiu», denunciam. Confrontado por “O Interior”, Fernando Matos, director do PNSE, refere que o desbaste aconteceu «contra o parecer» do parque, mas esclarece que o corte «selectivo» foi autorizado, «com regras», nalguns dos cinco lotes do pinhal em causa. Por sua vez, João Luís Brito desvaloriza o comunicado e acusa os representantes da CDU em Alvoco de «irresponsabilidade». O presidente da Junta garante que não há ilegalidade: «Estamos a proceder segundo as regras. Era crime, isso sim, se não aproveitássemos os recursos naturais da freguesia», diz, considerando o assunto uma «questão política». João Luís Brito refere ainda que os pinheiros em causa estão «velhos e tinham que ser cortados».

Não é a primeira vez que a CDU acusa a Junta de Alvoco de crimes ambientais. Em 2003, os mesmos eleitos impediram a venda em hasta pública de 22 mil pinheiros em área pertencente aos baldios. Na altura, interpuseram uma providência cautelar contra a Junta e conseguiram travar essa venda ilegal, tanto mais que o PNSE e a Direcção-Regional da Agricultura da Beira Interior (DRABI) não tinham emitido qualquer autorização para o leilão e muito menos para o corte raso dos pinheiros. «Os baldios são do povo e só ele pode decidir da sua gestão e administração, através dos órgãos eleitos pela Assembleia de Compartes», argumentaram os eleitos, para quem a Junta invocava objectivos «pouco claros» para justificar a venda dos pinheiros. Contudo, os baldios de Alvoco da Serra sempre foram geridos pela Junta de Freguesia, uma vez que nos últimos 10 anos não houve consenso para a criação de uma Assembleia de Compartes.

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