O Fornos de Algodres continua imparável na liderança do Distrital da Guarda, tendo vencido no último fim-de-semana no difícil reduto do Manteigas. Aquilo que prometia ser um bom espectáculo de futebol, pois defrontavam-se duas das melhores equipas do campeonato, acabou mesmo por sê-lo e não defraudou as expectativas.
Com a chuva miudinha a marcar presença e muito público a assistir, o desafio iniciou-se muito equilibrado, com as duas formações a praticarem um bom futebol, embora houvesse um ligeiro ascendente dos locais. No entanto, foi o Fornos que chegou ao golo, na primeira falha da defesa manteiguense, tendo a bola sobrado para Xilipê que, com um remate forte e colocado, inaugurou o marcador aos 18 . O Manteigas reagiu bem e acabou por criar algumas situações de perigo. Contudo, os visitantes continuaram a explorar o seu futebol e aos 22 , Bruno, em jogada individual, poderia ter feito melhor, mas concluiu com um remate para fora. Na parte final do primeiro tempo destaque para dois lances de perigo, um para cada lado. Eduardo falhou aos 42 para o Manteigas, enquanto aos 45 Quim Teixeira, de cabeça, atirou ao lado da baliza dos da casa. Na segunda parte, os locais entraram dispostos a mudar o resultado e logo aos 46 , na sequência de um pontapé de canto, Mário Carvalho cabeceou para boa defesa de Inácio, com Eduardo, na recarga, a atirar à barra.
Era um sinal de que o Manteigas queria vencer o desafio, mas o Fornos reagiu bem a este ímpeto dos locais criando várias ocasiões para dilatar o marcador. Destaque para duas situações em que Quim Teixeira poderia ter marcado, aos 53 e 56 , mas tal não aconteceu. Veio depois um lance que marcou a partida. Aos 57 , após uma confusão na área manteiguense, houve vários remates tendo a bola sobrado para Bruno, que, em posição irregular, rematou para boa defesa de Sérgio Nogueira. Mas na sequência, Bruno Rabaça, defesa do Manteigas, foi expulso. No estádio ficou a dúvida do porquê desta decisão, talvez por palavras dirigidas ao árbitro. Contudo, apesar de terem menos um jogador, os locais, muito aguerridos, continuaram a criar perigo, reagindo bem à expulsão, e aos 63 Eduardo, num remate em jeito, quase fez o empate. O problema é que três minutos depois o Fornos chegou ao 2-0 em mais uma falha da defesa local. A bola foi bombeada para a área dos serranos, Sérgio Nogueira saiu da baliza a cabecear o esférico que sobrou para Xilipê, cujo remate fraco deu golo porque Daniel falhou o corte, deixando a bola passar por debaixo do pé.
A partir daqui, o Fornos cresceu e, em superioridade numérica, controlou o jogo, enquanto o Manteigas respondia de tempos a tempos, mas os lances de maior perigo pertenciam aos visitantes. O mais evidente aconteceu aos 86 , quando Yuri passou por vários adversários e ofereceu o golo a Rebelo que fez o mais difícil e acertou na barra. Já em período de compensação aconteceu um episódio de autêntico teatro. Depois de ver o segundo amarelo e consequente vermelho, o jovem manteiguense Vítor Graça encostou a cabeça à do árbitro Tiago Cadete, que se atirou para o chão simulando uma agressão que não existiu. Os ânimos exaltaram-se e o público contestou a arbitragem que, se já era má até ao momento, tornou-se ainda pior com este facto. Analisando o trabalho das três equipas, poderá dizer-se que a pior foi a de arbitragem, podendo mesmo dizer-se que Tiago Cadete é melhor actor do que árbitro.
José Luís Costa


