O Teatro Municipal da Guarda (TMG), designação escolhida para a futura sala de espectáculos da cidade, vai ser inaugurado a 25 de Abril com um concerto de José Mário Branco e uma exposição da artista plástica Maria Oliveira. A programação do primeiro trimestre de actividade do futuro espaço cultural da Guarda, localizado nas traseiras do antigo Convento de São Francisco, foi apresentada na passada quinta-feira e inclui espectáculos de ópera, teatro, dança contemporânea, jazz, cinema e artes plásticas.
«O TMG é uma marca de qualidade que queremos deixar às gerações futuras e um equipamento devido à cidade e à região», sustentou Maria do Carmo Borges, presidente da Câmara da Guarda. «É também uma urgência», acrescentou Américo Rodrigues, director artístico, para quem estão reunidas todas as condições para fazer do Teatro Municipal da Guarda «uma referência no país, pois é o melhor equipamento cultural do interior». Formado por um grande e pequeno auditórios de 626 e 164 lugares, respectivamente, bem como uma galeria de arte e um café concerto, o complexo tem um custo inicial previsto de cerca de 10 milhões de euros. A sua gestão foi entregue à CulturGuarda, uma empresa municipal criada propositadamente, cujo Conselho de Administração é constituído por Maria do Carmo Borges (presidente), Álvaro Guerreiro e Amândio Baía (vogais). Francisco Dias será o director financeiro e Américo Rodrigues o director artístico, que anunciou que o TMG vai oferecer «sistematicamente» uma programação diversificada e de qualidade. É um «esforço» para conquistar novos públicos, que passará também pelo envolvimento das colectividades e instituições locais.
A estrutura vai ainda dispor de um serviço educativo, dirigido por Victor Afonso, que trabalhará com crianças, idosos e deficientes, promovendo oficinas temáticas e visitas guiadas por um actor aos bastidores. «O TMG tem que chamar as pessoas para a cultura», sublinha Américo Rodrigues. O responsável tem boas expectativas em relação à receptividade do público, mas não esconde já «alguma inquietação» para os anos seguintes, pois «há sempre uma quebra de espectadores no segundo ano de funcionamento». Até lá, a programação e o edifício serão os primeiros motivos de atracção. Das propostas anunciadas, destaque para dois espectáculos de dança contemporânea pelo Ballet Gulbenkian, em Abril, ou o ciclo “Jazz nas Alturas”, em Maio, em que participam, entre outros, o Bernardo Sassetti Trio e o Anthony Braxton Trio. Um mês marcado também pela estreia do teatro, com duas produções do Teatro da Trindade, e a ópera “La Traviata”, pela Companhia Lírica Siglo XXI (Espanha). Em Junho, acontecem uma peça de O Bando, uma exposição de pintura de Júlio Resende, a música estonteante dos espanhóis El Bicho e a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo. Pelo meio, estão previstas diversas actividades (cinema, música e teatro) no pequeno auditório e café-concerto.
«A nossa programação vai criar grandes expectativas na região, até do outro lado da fronteira. Temos muito melhores condições que as cidades vizinhas e contamos com o efeito surpresa e a qualidade da nossa programação para atrair público dos distritos da Guarda, Castelo Branco e Viseu», garante Américo Rodrigues.
Luis Martins


