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IPG fechado a cadeado por causa de bolsa em atraso

Estudantes promete continuar protestos até ao pagamento das prestações em atraso há três meses

A crise está de regresso ao Instituto Politécnico da Guarda (IPG). Depois da demissão da direcção da ESTG (ver texto ao lado), os estudantes fecharam a cadeado os portões da instituição durante a passada terça-feira como forma de protesto contra o atraso de três meses no pagamento das bolsas, mas também por causa da instabilidade vivida na Escola Superior de Tecnologia e Gestão. A contestação promete radicalizar-se nos próximos dias, tendo a Associação Académica da Guarda (AAG) agendado para ontem uma conferência de imprensa sobre esta matéria, porque os Serviços Sociais continuavam sem dar sinais de querer pagar as bolsas.

Apesar do frio e da chuva, os estudantes não arredaram pé das principais entradas do IPG, impedindo professores, funcionários e responsáveis de entrar no Instituto. Em causa está o sucessivo adiamento do pagamento das bolsas desde Novembro, uma situação que não acontece em mais nenhum outro politécnico do país e que está a criar grandes dificuldades a alunos e às próprias escolas do IPG que se vêem confrontadas com a falta de algumas receitas provenientes das propinas. O presidente da AAG, Sérgio Pinto, garante que a situação «é insustentável» e disse haver casos em que os estudantes estão «numa situação grave, carenciada, tendo sido muitos deles obrigados a ir trabalhar ou a pedir dinheiro a terceiros para satisfazer encargos inerentes aos estudos». O dirigente adiantou, por outro lado, que esta acção de protesto foi o «último recurso» dos estudantes após terem falado com a direcção do IPG, que explicou o atraso no pagamento das bolsas com alegados «problemas no sistema informático e dificuldades no orçamento para este ano». Sérgio Pinto adiantou mesmo que o vice-presidente do Politécnico tinha anunciado que as bolsas seriam pagas na terça-feira, mas tal não aconteceu até à hora do fecho desta edição, pelo que os estudantes se preparavam para tomar mais medidas de contestação e prolongar os protestos «até que o problema seja solucionado».

Contudo, o dirigente académico não se mostrava terça-feira muito confiante na resolução imediata do problema. «Estamos fartos de promessas e já esperámos demasiado tempo. Vamos ver quem e como se vai resolver este impasse, mas não vamos abdicar de lutar pelas prestações devidas por muito mais tempo», avisou. Recados e posição que não caíram bem junto do presidente do IPG. Jorge Mendes, ouvido pela Rádio F, disse que os serviços do Politécnico estão a fazer tudo para suprir os pagamentos em falta, lembrando que o Instituto guardense se debate com «dificuldades orçamentais devido ao corte em sede de Orçamento de Estado». Apelou à calma dos estudantes e ameaçou que «alguém» vai ser responsabilizado por ter impedido funcionários e responsáveis do IPG de trabalhar durante um dia. «Há vários dossiers que deviam ser despachados, com prazos para cumprir, e que não tiveram andamento. Este fecho causa um prejuízo enorme à instituição, além da má imagem transmitida, pelo que não vou tolerar mais este tipo de situações. Uma coisa é o direito à indignação e à manifestação dos estudantes, outra é sitiar e impedir que as pessoas trabalhem», disse o presidente. Por outro lado, os estudantes aproveitaram esta acção para demonstrar a sua preocupação quanto ao que se passa na ESTG. Sérgio Pinto lamenta a demissão da direcção da escola, considerando-a um sinal da «clara dificuldade em progredir e apresentar planos e projectos». O presidente da AAG receia mesmo que este novo contratempo venha «complicar ainda mais o rumo da instituição». O Politécnico da Guarda possui cerca de quatro mil alunos distribuídos pela ESEG, ESTG, Escola Superior de Enfermagem e Escola Superior de Turismo e Telecomunicações de Seia.

Luis Martins

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