O TeatrUBI – Grupo de Teatro Universitário da Beira Interior inaugura esta terça-feira a nona edição do Ciclo de Teatro Universitário da Beira Interior com a estreia da peça “Instantâneos”, uma criação colectiva do grupo com encenação da bailarina e coreógrafa Filipa Francisco e de Matthieu Réau.
Com “Instantâneos”, título inspirado numa cena do livro “Uma Cana de Pesca para o meu Avô”, de Gao Xingjian, o TeatrUBI volta a lançar-se no experimentalismo ao abordar novas formas artísticas de representação. Teatro, dança, canto, movimento, estados e paisagens são alguns dos muitos elementos que compõem uma produção que resulta essencialmente da improvisação dos actores. «É o teatro dentro do teatro», realça Filipa Francisco ao explicar o conjunto das várias manifestações artísticas existentes no espectáculo. A peça é composta por três histórias imaginadas pelos actores, às quais se juntam imagens de filmes do realizador italiano Nanni Moreti, desenhos de Frank Miller e músicas de Nick Cave. Apesar de abordar temas como o amor e o suicídio, é impossível definir “Instantâneos”. «Não tenho um rótulo para colocar na peça», garante Filipa Francisco, realçando que o trabalho final é o «resultado da aprendizagem das diferentes formas artísticas» aliadas aos textos, imagens e ideias de cada elemento. Na sua opinião, é o «trabalho colectivo» que está em destaque em “Instantâneos”, pois «deixa de haver a barreira entre o criador e o intérprete».
O movimento aéreo – alguns dos actores representarão no ar suspensos por cordas – é o elemento dominante do espectáculo e aquele que, por certo, mais impressionará o público. A ideia de recorrer a este elemento é aproveitar «o espaço de forma diferente», explica a coreógrafa, que lançou «este desafio» ao TeatrUBI e a si própria depois de ter assistido a um espectáculo de dança aérea em edifícios de Matthieu Réau. «99 por cento das peças de teatro usam apenas o palco. No nosso espectáculo vamos tentar usar o ar», acrescenta, por sua vez, Rui Pires, um dos actores. Já Nathalie Naveda, outra participante, refere que esta opção consiste tão só em aproveitar o palco «na sua verticalidade e não apenas horizontalmente». Uma dança aérea com uma pessoa sempre suspensa no ar e a representação de um suicídio em “slowmotion” são algumas das cenas a que o público pode assistir. Ester Gonçalves, Mário Gomes e Sérgio Novo (actor cedido pela ASTA – Associação de Teatro e Outras Artes) completam o elenco desta nova produção do TeatrUBI, que tem a antestreia marcada para segunda-feira no Teatro-Cine da Covilhã.
Liliana Correia


