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«Sombra da falência» ainda paira na Nova Penteação

Recurso interposto pela Beiralã está a bloquear viabilização da agora Tecimax e a impedir pagamento dos 25 por cento de indemnização aos trabalhadores

Luís Garra, dirigente do Sindicato Têxteis da Beira Baixa (STBB), acusou na última sexta-feira, em plenário de trabalhadores da ex- Nova Penteação, Rui Cardoso, administrador da Beiralã, de impedir a viabilização da agora Tecimax e o pagamento dos últimos 25 por cento acordados com Paulo de Oliveira para os trabalhadores rescindirem o contrato.

A acusação surge na sequência do recurso interposto pelo dono da Beiralã há mais de um ano no Tribunal da Relação de Coimbra contra a aquisição da Nova Penteação pelo grupo Paulo de Oliveira, contestando o perdão da Segurança Social ao aceitar receber apenas 12 por cento da dívida de 1,9 milhões de euros. Rui Cardoso reclamava desta forma igualdade de tratamento no pagamento da dívida que a sua empresa, sedeada em Seia, tinha para com a Segurança Social. «Não se compreende que esse recurso seja feito por um credor que representa 0,1 por cento do conjunto dos créditos da empresa», denuncia Luís Garra, criticando Rui Cardoso por «não ter apresentado nenhuma proposta alternativa nem votado contra» a proposta de Paulo de Oliveira. «Não se compreende qual é o interesse para a Beiralã na falência desta empresa», sublinha o sindicalista, lembrando que a antiga Nova Penteação está a laborar neste momento com 200 trabalhadores ao invés dos 120 admitidos inicialmente. «Acredito que a empresa teria mais trabalhadores se o problema estivesse ultrapassado no tribunal», sustenta Garra, invocando os mais de 400 trabalhadores que a antiga Nova Penteação empregava.

Para além de uma decisão rápida acerca do recurso – que ainda não foi admitido para apreciação -, o STBB apelou a Rui Cardoso para «reponderar» o caso e «acabar com uma polémica que não o beneficia, mas que prejudica os trabalhadores». Isto porque, no acordo celebrado entre Paulo de Oliveira e os trabalhadores, tinha ficado estabelecido o pagamento de 25 dos 80 por cento de indemnização apenas quando a proposta de viabilização da Nova transitasse em julgado. «A sombra da falência continua a pairar na empresa enquanto a medida não transitar em julgado», recorda Garra, para quem a falência da empresa apenas interessará àqueles que «lutam por interesses pessoais e que estão mais preocupados em destruir postos de trabalho do que em criar riqueza». «Não consigo entender outro tipo de interesses», acrescenta, afirmando que o recurso apenas seria «aceitável» se Rui Cardoso tivesse apresentado uma proposta para viabilização da Nova. No plenário que juntou ex-trabalhadores e operários recontratados, Luís Garra apelou ainda à «consciência moral» de Paulo de Oliveira para o pagamento dos restantes créditos – que rondam 750 mil euros – a cerca de 300 trabalhadores, defendendo que os «trabalhadores e o sindicato contribuíram para que a fábrica continuasse a deitar fumo».

Liliana Correia

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