«Portugal também já foi um país com grande tradição na emigração e, às vezes, parece que nos esquecemos das nossas raízes», garante Deolinda Reigado, presidente da direcção da Planicôa, entidade que vai promover na próxima semana na Guarda o ciclo “Dias Multiculturais: Encontros Inter-étnicos”. «Faz todo o sentido promover iniciativas para os imigrantes em Portugal e mesmo para nós, que os acolhemos no nosso país», acrescenta. A Planicôa é uma Cooperativa de Planeamento e Desenvolvimento Rural, Local e Regional, mas este evento pretende ser «mais abrangente e multicultural».
Entre os dias 12 e 16 de Janeiro estão programados um conjunto de actividades no auditório municipal para todos os gostos e etnias. Desde seminários, exposições, a mostras gastronómicas, música, teatro e até passagem de modelos com trajes tradicionais africanos. O objectivo é apresentar e divulgar as culturas e tradições dos vários países de origem dos imigrantes radicados no nosso país, como os PALOP’s, os países do Leste e o Brasil. «É uma forma de dar a conhecer outros pontos do planeta», explica Deolinda Reigado, para quem estes cinco dias multiculturais e étnicos irão servir para mostrar diferentes raízes culturais. Na quarta-feira, a partir das 10 horas, tem lugar um seminário inter-étnico que pretende debater temas relacionados com a imigração. Esta iniciativa conta com alguns testemunhos de imigrantes e dois plenários seguidos de debate. Estão previstas as participações (ainda a confirmar) do Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, o padre António Vaz Pinto; o presidente do Observatório para a Imigração, Roberto Carneiro; e o cônsul do Brasil.
Durante o ciclo realizar-se-ão exposições de artes plásticas, fotografia e artesanato, bem como uma mostra gastronómica, tudo no Paço da Cultura. Uma proposta que inclui cestaria, rendas e bordados e conta com a presença de artesãos da região a trabalhar ao vivo, para além de uma mostra de casas típicas de Timor-Leste ou de artesanato dos países do Leste. Na quinta-feira à noite está agendado um concerto do grupo musical “Pau e corda”, da Associação dos PALOP’s da Guarda, no auditório municipal. Depois da música tradicional africana, seguem-se os sons dos países do Leste. Para também dar a conhecer aos imigrantes as raízes portuguesas, o mesmo espaço recebe sexta-feira à noite um grupo de música tradicional, espectáculo seguido de uma passagem de modelos com trajes tradicionais africanos, realizada pela Associação dos PALOP’s da Guarda. No sábado à tarde, o auditório municipal acolhe uma peça de teatro de marionetas de Bruno Gama e César Monteiro. À noite, a música volta a ser em português com o grupo Contraponto, seguido de música e dança africana. «Esta é uma iniciativa que poderá ser desenvolvida noutras regiões do país, porque esta é uma instituição local com ambições nacionais», avança Deolinda Reigado.


