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2027 – Cidade Europeia da Cultura (Parte II)

Especificidades da Guarda e seu território

Num olhar rápido sobre as publicações do Centro de Estudos Ibéricos, dos múltiplos temas abordados, repescamos:

2005- O Espírito da Guarda – Cooperar e esbater fronteiras;

2006 – O nosso Tempo: nas Fronteiras da Cultura;

2007 – Activismo cultural e social nas margens institucionais

2008 – Transversalidades: Territórios, diálogos e itinerários ibéricos, “A ligação à terra: identidade dos idosos rurais na raia portuguesa”

2009 – Impactos do Turismo em espaço rural

2011 – A Ibéria e o diálogo cultural

2012 – Património e turismo cultural

2013 – Esperança em tempos de crise: interioridade, cultura e futuro

2014 – Espaços de fronteira, territórios de esperança: velhos problemas, novas soluções

2015 – Territórios, sociedades e culturas em tempo de mudança

2016 – Região cultural – um tema fundamental

2017 – Palavras à procura da Beira – uma mão cheia de Terra

O espírito andava por aí. As acções iam acompanhando: TMG; BMEL; inúmeras Associações Culturais; Centro Cultural; SIAC 1,2,3; Campus Internacional de Escultura; Reabilitação Urbana….

Faltava, ao jeito de Geraldo André, «…quem sabe faz a hora, não espera acontecer…». Afirmá-lo! e Agir!

«Agir, eis a inteligência verdadeira» (Fernando Pessoa)

Com este gesto a cidade da Guarda e todos os seus cidadãos estão na linha de partida.

Temos Candidatura! É de todos e para todos, especialmente para os que virão! Como diria Almada Negreiros, «temos que ser percursores dos que nos vão suceder».

A equipa de projeto deve imprimir uma dinâmica de planeamento interactivo e envolvimento da comunidade.

De forma profissional, com recursos humanos e materiais realistas e sustentáveis, hoje e amanhã.

Sem improvisos, alicerçada num bom diagnóstico da situação, calendariza, executa e avalia resultados.

Estes pressupostos, qualificam (sempre!) a cidade e territórios adjacentes.

Valem por si.

Esta metodologia e as acções sistemáticas necessárias em termos culturais, artísticos e patrimoniais põem a cidade «…mais acima e a olhar mais além…», nas palavras de Vasco Pereira Costa.

Vencer é a cereja no cimo do bolo!

Dos múltiplos argumentos a favor destacam-se como diferenciadores:

a) única candidatura maior que a proponente (a cidade) – territórios fronteiriços, Universidades de Coimbra, Salamanca e Beira Interior… parceiros de longa data;

b) assenta em forte consenso e coesão interna.

c) faz a simbiose entre, tradição e cultura popular (bem preservada entre nós) e a cultura contemporânea.

d) Elemento de coesão social e económica e fixador de populações em território com múltiplas potencialidades históricas e culturais (Rota dos Castelos / Aldeias Históricas/ Rota da Judiaria…).

e) A Guarda como local de sossego/retiro e residência de artistas.

A candidatura deve ter, entre outros, os seguintes vectores de intervenção:

1. Difusão e renovação das artes, cultura e património cultural.

2. Espaço para a formação e intercâmbio de informação cultural.

3. Campus pedagógico e de animação cultural.

4. Participação do público e formação de novos públicos.

5. Desenvolvimento económico e turístico.

6. Reforço da identidade, sentimento de pertença e auto-estima – a cidade tem mais de VIII séculos de história.

7. Projecto de Literacia e Observatório permanente em arte, cultura e património.

Finalidade essencial da candidatura, a reabilitação do Centro Histórico.

Constitui-se como um instrumento adequado. É realizável. Vários exemplos demonstram-no: Guimarães, Salamanca, etc.

A requalificação do Centro Histórico e seus monumentos, englobando os pavilhões do Parque da Saúde, vai aumentar a auto-estima de todos, bem como os fluxos turísticos.

Deve ter uma filosofia de fruição activa pelos cidadãos.

Recuperação que de forma expressa indique finalidade/ função de cada um dos espaços – na terminologia de Jesus Málaga Guerrero (2006), «com bicho dentro». Não recuperar por recuperar!

«Os Centros Históricos não são Pedras Velhas. São um conjunto de edifícios com uma comunidade que vivem sempre lá e com uma permanência e uma identidade. Não é o pitoresco que salva os Centros Históricos» – arquiteto Souto Moura

Em síntese e para terminar, olhando para 2027, socorro-me do Artista da palavra cantada – Zeca Afonso – quando diz:

«Amigo

Maior que o pensamento

Por essa estrada amigo vem

Em terras

Em todas as fronteiras

Seja bem-vindo quem vier por bem

Se alguém houver que não queira

Trá-lo contigo também»

Por: José Valbom

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