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O sistema imunitário – parte I

Mitocôndrias e Quasares

A evolução por seleção natural é o mecanismo que tem criado a biodiversidade desde a formação da primeira célula que flutuou na sopa primordial da Terra primitiva até à constituição de organismos tão complexos como o Homem. A sobrevivência das espécies é consequência da contínua competição pelos recursos, onde inevitavelmente um organismo acaba por ser presa de outro, o qual se comportará como seu predador. Por exemplo, um leopardo é um animal muito veloz que captura os veados para se alimentar, conduzindo a que tanto o predador, como a presa, sejam cada vez mais rápidos (uma para capturar, o outro para fugir).

Segundo esta lógica, as doenças infeciosas no ser humano também podem interpretar-se como uma relação parasita-hospedeiro entre o agente infecioso e nós próprios. Este confronto, mantido ao longo de toda a nossa história, permitiu a seleção de mecanismos de defesa físicos e/ou químicos, todos eles reconhecidos como sistema imunitário. Os indivíduos sobreviventes eram aqueles que possuíam algum sistema que os tornava parcial ou totalmente resistentes. Essas pessoas foram as que mais descendentes deixaram, permitindo assim que, geração após geração, se fossem aperfeiçoando os escudos contra a invasão microbiana.

Como em todas as guerras, devem existir armas e soldados para atacar e eliminar os organismos patogénicos. Nestas situações, diferentes tipos de moléculas e muitas variantes de células são os responsáveis por impedir que o nosso corpo termine como sustento para os micróbios.

Os mecanismos de defesa dos organismos contra as infeções têm evoluído até se converterem no sistema complexo e intrincado que os mamíferos atualmente possuem. De facto, as evidências desta evolução são proporcionadas através do estudo do sistema imunitário em organismos invertebrados e vertebrados não superiores.

Os escudos que todos os organismos possuem, com algumas modificações, podem classificar-se como barreiras físicas e/ou químicas. Por exemplo, as paredes das bactérias, o exoesqueleto dos insetos ou a pele dos mamíferos são claros sistemas de barreiras físicas, que limitam a entrada dos micróbios patogénicos. No que concerne às defesas químicas, os organismos produzem moléculas específicas e, inclusivamente, diferenciam algumas das suas células transformando-as em assassinas, tentando assim eliminar as entidades que conseguiram penetrar no corpo e se preparam para o invadir. Por exemplo, os invertebrados apresentam uma série de peptídeos, glicoproteínas, enzimas e moléculas, algumas delas com atividade antibacteriana, assim como componentes celulares que eliminam as partículas estranhas que penetram no interior do organismo.

Em contrapartida, em organismo vertebrados, como os peixes, encontramos um nível de desenvolvimento superior muito semelhante ao dos humanos, com presença de proteínas que desencadeiam a resposta imune, outras que estimulam a resposta inflamatória e a presença de células citotóxicas inespecíficas. (continua…)

Por: António Costa

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