Até 19 de agosto, a Fundação Côa Parque assinala os oito anos da abertura do Museu do Côa e os 22 da criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa. Para o efeito preparou um programa com eventos musicais e várias atividades, que prosseguem no domingo (21 horas) com uma sessão de astronomia na Quinta da Ervamoira.
Abriu portas ao público a 30 de julho de 2010 e, até ao final de 2017, o Museu do Côa recebeu 206.542 visitantes – uma média anual de 25.818 pessoas, revela a Fundação Côa Parque. Nos anos que se seguiram à abertura «verificou-se um decréscimo acentuado de visitas» que foi, sobretudo, contrariado em 2017, «o melhor ano de sempre» com 32 mil visitantes, acrescenta o presidente do Conselho Diretivo daquele organismo criado para gerir o museu e o parque arqueológico.
Mas as expectativas vão muito além desse número e a meta é que as entradas cresçam a uma média de 20 por cento ao ano até 2022. Caso esse objetivo se concretize, «significará que em 2022 a Fundação terá receitas próprias na ordem do meio milhão de euros», o que permitirá «assegurar todas as responsabilidades associadas aos vencimentos dos funcionários», antecipa Bruno Navarro. Mas não será tarefa fácil, pois é uma meta «ambiciosa», principalmente porque o museu está no interior, longe dos grandes centros. «Em 2017 a Fundação teve de receitas próprias cerca de 200 mil euros, o que significa que, até 2022, temos que fazer um esforço muito significativo», constata o responsável. E para atrair mais visitantes, a estratégia passará «por dar mais notoriedade» ao equipamento: «Vamos divulgá-lo junto dos operadores turísticos nacionais e internacionais, bem como nas escolas de Portugal e Espanha» para «atenuar» a dinâmica sazonal dos visitantes, adianta o presidente da Côa Parque.
Nesse sentido, aos operadores de cruzeiros no Douro foram apresentados pacotes de visita que incluem oficinas de arqueologia experimental e momentos de degustação de produtos regionais, acrescenta Bruno Navarro, segundo o qual já há «bons resultados» dessa abordagem. À semelhança do bilhete combinado, que abrange os Museus do Côa, de Serralves e do Douro, a estratégia vai passar por «trabalhar numa iniciativa semelhante para nos associarmos aos Museus de Altamira (Espanha) e Lascaux (França)», afirma o responsável, sublinhando ainda que «estamos a participar num conjunto de redes patrimoniais e museológicas», nomeadamente a Rede de Museus do Douro, a Rede do Património Mundial de Portugal e o itinerário cultural “Prehistoric Rock Art Trails” do Conselho da Europa. «Queremos que as pessoas venham muitas vezes ao Museu do Côa e fidelizar um público alargado», ambiciona Bruno Navarro. É por isso que a Fundação está a apostar numa programação cultural «regular, de grande qualidade, com particular enfoque em exposições temporárias organizadas com instituições de referência», justifica o presidente.
Mas a mais-valia do Museu do Côa está fora de portas. «Os nossos funcionários costumam dizer, com toda a propriedade, que o verdadeiro Museu do Côa é o Parque Arqueológico com as suas centenas de rochas gravadas», afirma Bruno Navarro, considerando que o programa museológico pretende introduzir os visitantes no universo da história da arte pré-histórica, nacional e internacional, fornecendo ainda uma síntese explicativa do enorme património existente no Vale do Côa, Património da Humanidade. «Ainda que ali seja possível observar alguns exemplares de arte móvel e um conjunto de réplicas de rochas gravadas, o que deixa uma marca indelével na memória dos visitantes é a sofisticação tecnológica que serve de suporte aos conteúdos expositivos do museu», admite o responsável, que não esquece a «qualidade notável» dos guias.
O futuro passa por continuar a afirmar o Museu do Côa como «um equipamento cultural de referência» na região e no país, mas também mantê-lo como «projeto âncora» em termos económicos e sociais: «Queremos colocar este museu ao serviço da comunidade, potenciando a criação de sinergias com os agentes culturais, científicos, económicos, sociais e educativos, nacionais e internacionais. Queremos que seja mais conhecido e visitado e temos projetos em marcha que visam atingir esses objetivos», declara Bruno Navarro. Algumas dessas iniciativas destinam-se a criar novas condições de acessibilidade ao local, outras visam a afirmação de «uma marca distintiva que posicione o museu no mercado global», adianta o presidente da Côa Parque. Está também prevista a integração dos conteúdos expositivos «nas mais modernas formas tecnológicas de mediação» e outros projetos para «a fruição de uma oferta cultural integral e variada, de grande qualidade, que promovam um diálogo permanente entre a pré-história e a contemporaneidade».
Governo está a cumprir compromisso
Paralisada durante anos e com problemas financeiros, a Côa Parque tem em mãos o desafio de «zelar pela salvaguarda, preservação e valorização da maior concentração de arte rupestre do mundo», mas os recursos do Estado são «limitados», lamenta Bruno Navarro.
Ainda assim, o responsável ressalva que o Governo e, em particular, o ministro da Cultura «estão a cumprir escrupulosamente o compromisso assumido (…) para o relançamento sustentado do projeto» do Côa. Contudo, a Fundação «também tem a responsabilidade de diversificar as suas fontes de financiamento» e, além de querer aumentar as receitas próprias até 2022, «estamos também a trabalhar num conjunto de candidaturas a fundos comunitários», indica Bruno Navarro. «Se estes financiamentos forem aprovados, estamos em boas condições para podermos cumprir integralmente a nossa missão», acredita Bruno Navarro.
Já é possível ver as gravuras do Côa a bordo de uma canoa
O ministro da Cultura abriu, no sábado, uma nova modalidade de visitas às gravuras rupestres do Côa. Agora é possível apreciar esta arte milenar através de passeios de canoa (cada viagem pode durar meia hora) e, numa primeira fase, serão abrangidos sítios emblemáticos como a Canada do Inferno e a Ribeira de Piscos. O governante foi um dos primeiros a dar ao remo como forma de apadrinhar esta iniciativa lançada pela Fundação.
Parque Arqueológico do Vale do Côa comemora 22 anos
A 10 de agosto de 1996 nascia o Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), o único do género em Portugal e o maior complexo de arte rupestre paleolítica ao ar livre no mundo.
«Os trabalhos da nossa equipa de arqueologia têm grande impacto nacional e internacional, sendo frequentemente convidados para os encontros científicos mais prestigiados», destaca o presidente da Fundação, para quem, em termos culturais, este projeto é «um marco histórico amplamente divulgado e comentado» pelo mundo. Mas nem só as áreas científica e cultural beneficiam, também em termos económicos e sociais «é inegável o contributo deste projeto para a criação de emprego e negócio na região e para a formação de uma dinâmica turística». No ano passado a Côa Parque viu aprovada uma candidatura ao Programa Valorizar «que está agora em plena execução, permitindo renovar a frota automóvel para visitação turística e a estrutura tecnológica e museológica», refere Bruno Navarro. Segundo o responsável, em breve será também apresentado um novo site da instituição, sendo que o financiamento também está a permitir renovar a imagem e marca da Fundação, bem como a criação de uma nova linha de merchandising e a oferta de novos produtos turísticos. «Estamos ainda a trabalhar numa estratégia integrada de divulgação, nas mais diversificadas plataformas, para amplificarmos a notoriedade da instituição e estimularmos ainda mais a procura turística», realça.
Sara Guterres


