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Símbolos

Agora Digo Eu

O símbolo é por definição um elemento que faz parte de uma determinada marca e possui características próprias que permitem fazer a associação entre um e outro.

É difícil perceber que o símbolo não identifique nomes, culturas, produtos fazendo necessário reconhecimento estabelecendo o grande público visível e notória relação.

Dizer que o símbolo do cavalinho num carro vermelho identifica a marca Ferrari, a estrela de três pontas a Mercedes Benz, o leão a Peugeot, o jaguar a Jaguar, o ómega o relógio Omega, a asa estilizada da deusa grega da vitória militar a marca Nike, a bandeira nacional, símbolo da soberania, da independência e integridade nacional, instaurada pela revolução de 5 de Outubro de 1910, o nosso país, é identificar estabelecendo relação entre o símbolo e a marca.

Claro está que também no mundo político e dos partidos a identificação é feita pelo símbolo. O PS pelo punho, o PC pela foice e o martelo, o CDS pelas duas setas que determinam o centro e o PSD pelas três setas de cores diferentes que, segundo os estatutos, representam a liberdade, a igualdade e a solidariedade.

O partido fundado por Magalhães Mota, Francisco Sá Carneiro e Pinto Balsemão adotou ainda a cor laranja tendo por princípio a representação das três setas como sendo farpas contra o nazismo, o comunismo e a monarquia, pois na visão histórica os resistentes alemães utilizavam-nas para danificar o efeito da cruz gamada pintando-as por cima do símbolo do nacional-socialismo, o que dava a garantia de equidistância necessária ao conservadorismo reacionário e à inspiração marxista, numa aliança entre trabalhadores e a organização da luta anti nazi criada pelo Partido Social Democrata alemão.

As setas simbolizam os três fatores desse movimento: o poder político e intelectual, a força social e económica e por último a força física, exprimindo as três cores diferentes a conjugação do pensamento social-democrata: a negra recorda os movimentos intelectuais do século XIX, a vermelha a luta dos trabalhadores e finalmente a branca aponta para a defesa dos grandes valores.

Ora em Portugal, com a eleição do novo líder dos social-democratas, percebe-se que este ainda não soube ou não foi capaz de arrumar a casa, parecendo ter apenas e tão só como objetivo piscar o olho a Costa sem perder de vista as Galriças e as Cristas, contestando neste preciso momento o próprio símbolo do partido que lidera. C’os diabos…

Então o símbolo de sempre já não identifica o produto? As setas já não são fator determinante para o eleitorado confiar no PSD? Onde está o respeito que a história de décadas merece? Ou iremos centrar-nos apenas no divórcio existente entre o grupo parlamentar e o líder? Será que Rio tem em preparação uma nova técnica, um novo visual, um novo símbolo, uma nova marca para identificar o seu Partido Social Democrata?

Se é certo e sabido que esta sociedade em que vivemos está em constante mudança e a convicção e consistência ideológica já não são o que eram e se, curiosamente, por uma questão de calculismo ou jeito o PS umas vezes utiliza o punho, outra tantas a rosa descorada e, ao que parece, agora no PSD as setas históricas se tornaram um autêntico incómodo, salve-se, pelo menos o símbolo comunista que identifica a revolução, o proletariado, os camponeses, os operários e a solidariedade internacional, a menos que, com as últimas trocas e baldrocas, os galhardetes engalanados, os argumentos de colarinho branco e as posições mais ou menos consertadas, os comunistas portugueses, numa de revisionismo gritante, troquem um destes dias a estrela vermelha de cinco pontas, a foice e o martelo pelas chaves celestiais de S. Pedro e a mitra papal de Francisco.

Com o rumo que isto está a tomar vamos esperar para ver…

Por: Albino Bárbara

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