Cerca de 500 empresários, investigadores, responsáveis e autarcas debateram as estratégias de um setor em franco crescimento na quinta edição do Fórum de Turismo Interno “Vê Portugal” organizado durante dois no TMG pelo Turismo do Centro.
Na sessão de abertura, Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, recordou que este encontro surgiu há cinco anos para discutir os problemas que mais afetam o turismo da região, como a sazonalidade, a baixa estadia média e a litoralização da procura turística. O responsável concluiu que esses são «problemas estruturais que estamos a ultrapassar», sublinhando que o Centro cresceu 26,6 por cento na procura de estrangeiros no ano passado e 68,4 por cento fora da época alta. «Estamos a crescer em hóspedes e dormidas» porque «o turismo de Natureza, de património e cultura, o turismo ativo, enogastronómico, de “wellness” e bem-estar são procurados por cada vez mais visitantes», concluiu Pedro Machado, que salientou a importância do reforço do trabalho em rede com Espanha, iniciada em janeiro de 2017: «Juntos, Portugal e Espanha são o maior mercado mundial em termos de procura», afirmou.
Por cá, o presidente do Turismo Centro de Portugal, que se recandidata ao cargo, alertou para «o risco» da municipalização do turismo com o processo de descentralização anunciado pelo Governo. «O processe não deve minar o sucesso que foi possível conquistar nos últimos anos», considerou, reclamando que essa descentralização deve ser acompanhada «dos recursos financeiros necessários para a capacitação dos agentes turísticos nas respostas aos desafios do futuro». O Fórum foi promovido pela Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal e teve áreas temáticas o “Turismo de Natureza: que desafios para a sustentabilidade?”, “Turismo de interior – desafios e tendências”, “Inovação, competitividade e coesão”, “Novas tendências na promoção dos destinos” e “Novas tendências da procura turística”.
O primeiro dia ficou marcado pela intervenção de Domingos Xavier Viegas, coordenador do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e autor do relatório sobre o incêndio de Pedrógão Grande, que alertou que os incêndios florestais são «uma das maiores ameaças para o mundo rural. Põem em causa a segurança das pessoas, o património e afetando todas as atividades, incluindo o turismo». Por sua vez, Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, falou sobre a importância do enoturismo, que considerou «uma oportunidade de desenvolvimento para o interior». Já Paulo Romão, responsável pelo projeto Casas do Côro (Marialva, Mêda), partilhou a história de sucesso do seu empreendimento turístico na Aldeia Histórica de Marialva (Mêda). «Tivemos de criar um destino. Para isso, desviámo-nos do convencional e criámos um projeto para tudo e para todos», declarou.
E João Paulo Catarino, coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, elogiou as vantagens competitivas que o interior pode oferecer nesta área, dizendo «no interior oferecemos autenticidade», mas que é necessário alargar o território que recebe turistas para zonas menos visitadas. «Falta-nos ensinar o caminho para o interior a quem chega a Lisboa e Porto», afirmou. A fechar do dia, Luís Veiga, CEO da Natura IMB Hotels e do IMB Group, denunciou os «custos de contexto» que penalizam quem pretende investir no interior, nomeadamente as portagens, o preço da água, a taxa de ocupação de gás natural, a derrama e outros. O empresário apelou mesmo a uma «desobediência civil» relativamente às portagens. «É altura das SCUT voltarem a ser o que eram antes da crise», sustentou. Na terça-feira o fórum debateu o papel que as indústrias criativas podem ter na promoção turística, com a presença, entre outros, de Ruben Alves, realizador do filme “A Gaiola Dourada”. As novas tendências da procura turística e a relação estratégica entre património e turismo foram outras temáticas abordadas no último dia do Fórum.
Álvaro Amaro sugere Região de Turismo Coimbra-Centro
A cerimónia de abertura do fórum ficou marcada por uma declaração inesperada de Álvaro Amaro. O presidente da Câmara da Guarda sugeriu que a Região de Turismo do Centro possa designar-se de Coimbra-Centro, como acontece com a Região de Turismo Porto-Norte.
«Eu também gostaria mais, como autarca da Guarda, que se chamasse Guarda-Centro mas vamos ser francos, com todo o respeito pelas outras cidades, acho que uma grande marca da região Centro é Coimbra», defendeu. O edil constatou também que «o interior começou a ser descoberto» e que referiu a Guarda registou nos últimos quatro anos um crescimento de «76 por cento do volume de turistas registados no posto de turismo». Contudo, Álvaro Amaro admitiu que a cidade mais alta ainda tem «um longo caminho a percorrer no grande mercado ibérico». Na sua intervenção, o autarca disse também que é necessária uma «estratégia de desenvolvimento turístico do interior, para que Portugal seja o melhor destino turístico do mundo também em zonas de interior».
Na ausência da Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, coube a Carlos Abade, administrador do Turismo de Portugal, falar do sucesso turístico do país e da sua importância para «dinamizar, criar riqueza e emprego» nos territórios do interior. «Fazer crescer o turismo nestas regiões é a melhor via para o seu desenvolvimento», acrescentou, lembrando que o turismo interno é «o maior mercado de turismo nacional, com um peso superior a 50 por cento no Alentejo e no Centro». O responsável abordou também a recuperação do Hotel Turismo no âmbito do programa REVIVE, tendo elogiado e agradecido o trabalho da autarquia no desfecho do processo.
Luis Martins
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