O desejo e a realidade estão confusos. Há umas largas décadas que as pessoas levam os cães aos restaurantes em França e tirando uma ou outra rara discussão de canídeos o processo é normalmente sossegado. O meu problema é mesmo em relação aos donos. Lavam-nos? Cuidam de que a sua trampa não ocupe os meus sapatos? Educam-nos? Há cães licenciados e doutorados por aqui? A última vez que vi canídeos ilustres, numa república perto de mim, moravam três ou quatro e talvez estudassem medicina pois cuidavam de andrajosos donos que eles empurravam com as trelas. Eram fracos estudantes que obviamente os cães afastaram dando espaço a melhores alunos. Coimbra está mais contente. Os cães não têm culpa dos donos. Há é pessoas que não deviam ter animais pois dificilmente eles as podem cuidar, levar ao dentista, impedir de se alcoolizarem, castigarem-nos quando mendigam apesar dos apoios sociais, obrigar a que se levantem para o trabalho. Os cães falam desde manhã com seus inqualificáveis donos, mas frequentemente estes brigam, discutem da janela dos carros, incumprem com as regras todas de boa cidadania. Os cães pedem uivando que o som esteja mais baixo. Também há inúmeros cães que circulam abandonados depois dos divórcios com os donos. Há autarquias que não querem saber do número de mortos cães que estão nas suas estradas, como Anadia, como Mealhada, como Cantanhede e outras por aí. O desleixo e a incúria e a desorganização são a arma dos donos que tanto maltratam os cães.
Por: Diogo Cabrita


