A noite eleitoral no distrito da Guarda foi fértil em surpresas de inegável interesse político.
Apesar da contabilidade do número de Câmaras Municipais ter mantido o cenário anterior, o certo é que a expressiva vitória do PSD e de Álvaro Amaro na Guarda e a derrota do candidato socialista em Celorico da Beira, homem forte da Federação do PS, terá importantes consequências e significará um novo ciclo na vida do Partido Socialista da Guarda.
As principais figuras do PSD distrital saem vencedoras destas eleições com a vitória de Álvaro Amaro, Rui Ventura, Gustavo Duarte, António Robalo e Luís Tadeu, entre outros.
Os deputados Carlos Peixoto, líder da distrital, e Ângela Guerra associam-se também a estas importantes vitórias.
Mas o PS sofre um sério revês com as derrotas na Guarda e Celorico da Beira, tradicionais alicerces da Federação socialista. E o deputado Santinho Pacheco acaba por se associar pessoalmente à derrota em Gouveia e ao desaire eleitoral da Guarda e Celorico da Beira. Neste cenário será interessante assistir à evolução do novo ciclo político do PS na Guarda.
E saber também se as antigas e novas lideranças municipais repetirão um cenário de evidente falta de concertação e estratégia de conjunto para a região. Quando o que pareceu interessar no anterior ciclo eleitoral se resumiu a um circo mediático interno, quando continua a campear e a colher frutos a demagogia, a chantagem e a perseguição políticas, sobra pouco para olhar em redor na procura de sinergias e estratégias coerentes para a promoção e desenvolvimento da região. É dramático e chega a surpreender a fragilidade do discurso e da prática política quanto ao enquadramento regional da política local.
Quando os atores institucionais de representação política reservam para si a discussão da estratégia e das opções de desenvolvimento regional somos tentados a pensar que o que se pretende são objetivos locais, desgarrados do conjunto, para obter ganhos táticos na afirmação de lógicas eleitorais meramente concelhias.
As associações de desenvolvimento rural estão sem estratégia, sem atores, sem recursos. A CIM é mais um negócio político de repartição de dividendos, onde impera uma lógica do poder de realização física, de projetos desconexos, favorável aos maiores municípios da região.
Os deputados eleitos pelo distrito esforçam-se por cumprir um mandato, cada vez mais mediatizado, mas com evidente e claro servilismo de lógica partidárias. Neste contexto devemos interrogar-nos se existe uma estratégia de desenvolvimento sub-regional para o território? Quais os projetos âncora e como se articulam? Que indicadores e objetivos quantificados se procurou atingir e quais os resultados obtidos?
Desconfiado de que não existe coerência estratégica na lógica do investimento local e regional, não tenho também ilusões que interesse muito aos autarcas monitorizar os resultados, nem a definição a montante das metas e dos objetivos quantificados. Estaremos todos conscientes que nesta sub-região vem diminuindo exponencialmente a população, aumentando o desemprego, diminuindo a capacidade produtiva e a dinâmica económica?
Este novo ciclo pós-eleitoral tem de despertar uma consciência social e política de maior exigência sobre os novos e velhos atores. Não é aceitável manter o clima de divisão nem uma lógica de perseguição política.
Exige-se mais coesão, mais representação na democracia, mais consensos locais e regionais. Exige-se maior responsabilização política na definição de metas e na sua monitorização. Exige-se maior consciência coletiva sobre a bondade dos investimentos públicos. Impõe-se uma capacidade acrescida à sociedade civil para intervir decisiva e criticamente. Um novo ciclo, velhos problemas e novos desafios!
Por: Júlio Sarmento
* Antigo líder da Distrital do PSD e ex-presidente da Câmara de Trancoso
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