Álvaro Amaro voltou a fazer história no domingo ao ser reeleito presidente da Câmara da Guarda com a maior votação de sempre, em termos percentuais, nas eleições locais. O social-democrata conseguiu 61,2 por cento dos votos, mais quatro pontos percentuais que o socialista Abílio Curto em 1982, quando obteve 57,2 por cento dos sufrágios. Para este resultado sem precedentes muito contribuiu o descalabro do PS, que se ficou pelos 23,35 por cento, o pior resultado de sempre dos socialistas, que bateram no fundo e perderam 1.700 votos relativamente a 2013 (ver quadro na pág.6).
Com uma vitória esmagadora, Álvaro Amaro foi o primeiro dos candidatos a falar para sublinhar o feito da reeleição «histórica». À porta da sede de candidatura, perante centenas de apoiantes, o social-democrata agradeceu «ao povo da Guarda porque nos deu uma vitória muito, muito, muito forte», considerando que os guardenses foram «justos e fiéis». Reconduzido para o segundo mandato e com maioria absoluta (cinco vereadores contra dois do PS), Álvaro Amaro congratulou-se ainda por a sua candidatura ter ganho em todas as freguesias e aumentado a votação para a Assembleia Municipal – Cidália Valbom vai ser a primeira mulher a presidir a este órgão autárquico. «Eu sei que isso nos responsabiliza muito. Espero estar à altura dessas responsabilidades», afirmou o candidato, que prometeu trabalhar para «o novo ciclo» da Guarda tornando-a «ainda mais atrativa, ainda mais competitiva». Na hora da vitória, o presidente reeleito afirmou também que o tempo é de colocar «o futuro da Guarda acima das divergências» e apelou a «todos os que fazem opinião e queiram contribuir para a Guarda» que «se cheguem até nós».
Já a O INTERIOR – ao qual tinha declarado em entrevista que se tinha preparado para «este “exame”» e queria ter «a melhor nota», Álvaro Amaro acrescentou que «passou no exame com distinção, o povo é que nos distinguiu e estou muito grato aos guardenses».
«Derrota não é um drama», considera Eduardo Brito
Enquanto os sociais-democratas faziam a festa no centro da cidade, o ambiente era de desolação na sede de Eduardo Brito. O socialista só falou quando teve a certeza da eleição de dois vereadores, como há quatro anos, e começou por felicitar Álvaro Amaro pela «extraordinária vitória». Quanto à derrota deve ser encarada «sem dramas, faz parte da democracia», pois perder «não é o fim, é o começo de um novo ciclo político e se o resolver bem, seguramente que o PS voltará ao poder», disse o candidato. Eduardo Brito considerou depois que «o mais importante é que a Guarda tire proveito destes resultados e do programa político que escolheu» e prometeu uma oposição «firme» no executivo: «A nossa preocupação será sempre escolher o melhor para a Guarda. Esperamos que os problemas de que falamos na campanha possam ter solução», acrescentou.
O futuro vereador citou ainda Mário Soares para dizer que «em política só é derrotado quem desiste de lutar, é isso que vamos fazer», afirmando que os socialistas têm que trabalhar «mais e melhor» para vencer a Câmara daqui a quatro anos. Antes, o partido vai ter que refletir sobre o que se passou, embora considere que, «mesmo com estes resultados, o PS atinge alguns objetivos: tem uma nova geração de políticos na Assembleia Municipal, na Junta da Guarda e na Câmara». Mas isso não chega para Eduardo Brito, que avisou que será «absolutamente fundamental» o PS «continuar a aperfeiçoar o seu programa político com a sociedade» nos próximos anos, pondo-o «mais de acordo com a realidade e as aspirações dos guardenses».
Luis Martins


