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Almeida o exemplo. Urge juntar exemplos para transformar

Crónica Política

Muitos apregoam a defesa dos interesses das populações, no entanto, o PCP, sempre de forma coerente, esteve na vanguarda das lutas e sobretudo nas suas opções ideológicas e políticas na defesa das funções sociais do Estado, na universalidade do serviço postal e mais uma vez ao lado e, naturalmente, na vanguarda dos interesses da população de Almeida. Desde logo numa articulação exímia, esta apagada pelos órgãos de comunicação social, sabe se lá qual a lógica, mas a luta persistente pela manutenção do seu serviço público bancário de proximidade, o balcão da Caixa Geral de Depósitos.

Não sejamos ingénuos mas a verdadeira razão para o encerramento de mais este balcão da CGD está fundamentada na missão de longa data, esta repartida pelas sucessivas responsabilidades que os governos do PS e do PSD/CDS vêm atribuindo ao banco público, este não foge ao diapasão, mesmo sendo minoritário, mas que não comunga das opções ideológicas, estas que o PCP consolida na defesa da banca pública.

Mais claro que a água cristalina?

A resposta do Governo à pergunta do grupo parlamentar do PCP no mês passado sobre mais este encerramento não podia ser mais clara: «Neste âmbito, um dos pilares da estratégia comercial da Caixa é a revisão do modelo comercial e o redimensionamento da rede de balcões, em termos que permitam à CGD manter a sua posição de liderança na banca de retalho doméstica, ajustada ao potencial económico e de desenvolvimento de cada localidade. Tal revisão implica analisar atentamente: (i) a dimensão e rentabilidade das unidades de negócio, (ii) a dispersão geográfica e (iii) o potencial ou atratividade da respetiva zona de influência».

Ao sancionar tal plano estratégico para a CGD, o Governo admite que a dimensão de Almeida e a rendibilidade das suas unidades de negócio não servem, que a sua dispersão geográfica é-lhe fatal e que o seu potencial e a atratividade da respetiva zona de influência não interessam ao país.

Será importante que cada leitor do jornal O INTERIOR se debruce sobre os dados de depósitos de clientes nos bancos, caixas económicas e caixas de crédito agrícola mútuo – http://www.pordata.pt/DB/Municipios/Ambiente+de+Consulta/Tabela . Isto significa que Almeida libertou mais de 106 milhões de euros para a economia do resto do país, mais uma vez Almeida contribuiu para a coesão social, mas o poder central teve e tem uma atitude contrária.

Bem pode Álvaro Amaro vociferar, enquanto presidente dos autarcas do PSD, bem podem reclamar os dois putativos candidatos do PSD à Câmara de Almeida, a dura realidade das opções ideológicas e políticas, que afetam a maiorias dos concelhos no nosso país – Almeida sofre particularmente com as políticas neoliberais do PS e do PSD/CDS que os condenam à sorte da sua circunstância – afastamento dos grandes centros, um despovoamento paulatino, por consequência chamam agora territórios de baixa densidade.

Este é também um exemplo concreto em que mais uma vez as estruturas supramunicipais não funcionam e não há uma voz coletiva reivindicativa no seio da CIM Beiras e Serra da Estrela.

Mesmo assim, o Governo entende que não merece ter um serviço público bancário. Nada mais injusto para esta população que, infelizmente, já sabe o que é perder serviços públicos. Desde o encerramento de extensões de saúde, nomeadamente na Miuzela do Côa, supressão de resposta na mesma aldeia ao nível da GNR, sem esquecer o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente, ao qual se seguiu mais tarde a redução do horário de funcionamento do Centro de Saúde.

Portugal é hoje um país cada vez mais dividido entre os territórios que perdem população e os territórios que acolhem quem abandona os primeiros. As tão propaladas 164 medidas para o interior não passam de uma falácia. Nós, que cá vivemos com condições cada vez mais difíceis, esvaziados de serviços públicos, subaproveitamento de centenas de estruturas municipais, queremos que haja outro rumo, queremos na sede de concelho ou de freguesia uma linha reivindicativa para que as populações do interior não sejam empurradas para uma mobilidade que desestrutura famílias e comunidades inteiras, acarretando novos problemas sociais e de condições de vida, tanto para as localidades de acolhimento, a braços com gravíssimos problemas de planeamento urbano, como para as localidades abandonadas, com desperdício de recursos públicos que estes governos se apressam a desviar com o pacto de agressão da “troika”.

Centrei-me em Almeida com bandeira de um povo oprimido pelas políticas neoliberais, por sinal com novos delfins por este espaço territorial europeu.

Temos que por em causa o sistema capitalista, derrotando-o, é o único caminho para a transformação social, acabar com opções de classe contrárias ao POVO.

Por: Honorato Robalo

* Dirigente da Direção da Organização Regional da Guarda do PCP

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