A Coligação Democrática Unitária (CDU) já tem candidato na Guarda. Trata-se de Carlos Canhoto, 43 anos, natural de Estarreja e residente na “cidade mais alta”. Saxofonista, professor e investigador, é docente na Escola Superior de Artes Aplicadas no Politécnico de Castelo Branco e nos Conservatórios da Guarda, Castelo Branco e Covilhã.
Em conferência de imprensa na passada quinta-feira, o cabeça de lista lembrou que, durante décadas, a Guarda sofreu uma gestão PS «caraterizada por opções políticas e investimentos duvidosos, pelo comodismo e pela estagnação». Um tempo que ficou igualmente marcado por «uma pesada e injustificável acumulação de dívida». Mas Carlos Canhoto também não poupou críticas a quem veio a seguir: «O populismo da sua figura mais evidente – o presidente Álvaro Amaro – serviu como uma luva à política de direita levada a cabo pela coligação. Propondo-se salvar as contas públicas e contribuir para a melhoria da autoestima da população, a gestão PSD/CDS-PP pouco mais fez do que uma sucessão de operações de cosmética e propaganda – muitas delas de gosto, pertinência e gestão de custos duvidosos», criticou o candidato, para quem as opções políticas da atual maioria conduziram a um concelho «tão ou mais degradado, empobrecido e deprimido».
«Os problemas e as carências fundamentais mantêm-se. E a propaganda e fogos de artifício, se para algo serviram, foi para a distração da população», ironizou Carlos Canhoto, considerando que «não está na natureza do PSD e do CDS-PP servir as populações». No entanto, o cabeça de lista reconhece que «há uma melhoria da gestão das contas relativamente à gestão PS», mas continua a haver «contas muito, muito erradas»: «Há uma diminuição da dívida do município, mas ficamos com a impressão de que poderia ter sido muito maior se houvesse uma gestão que tivesse como único e principal objetivo controlar as contas e servir as populações», sustentou. Nesse sentido, Carlos Canhoto apresentou a CDU como a «alternativa» para o concelho. «Uma política que valorize o ambiente, os recursos naturais, o património, a aposta nas micro, pequenas e médias empresas como motores da economia local, a par com a agricultura e a defesa e promoção dos produtos locais», defendeu o independente.
Quanto aos objetivos, o candidato aponta a valorização do «enquadramento do concelho no Parque Natural da Serra da Estrela», bem como a aposta nos transportes públicos, como dois vetores da política que pretende seguir. A integração de políticas culturais e educativas será outro, nomeadamente com a criação, «no espaço do antigo Hotel Turismo, de uma escola pública de artes performativas (música, dança e teatro)». Carlos Canhoto apelou ainda à valorização da educação «naquilo que são as competências municipais, mas que responsabilize o poder central naquilo que são as suas». A reabilitação do património histórico e tradicional, bem como dos espaços verdes, são outros dos pontos defendidos pelo candidato da CDU, que está contra o encerramento ou privatização de serviços públicos e as portagens na A25 e A23.
Carlos Canhoto espera reforçar o número de eleitos na Assembleia Municipal e até eleger um vereador. O professor e economista aposentado Aires Diniz, de 66 anos, é o candidato da CDU à Assembleia Municipal e acredita que os eleitores vão dar «mais mandatos» à CDU.


