Imaginem um autor trabalhador, profundamente empenhado nos detalhes, fazendo buscas intermináveis para as suas histórias. O séc. XVIII e XIX fazem-lhe as delícias da escrita, convertem os cenários em realidades, ocupam as tramas, formam cor e cheiro nas descrições e desse modo as personagens ficam mais perto de nós, mais imagináveis. Esse homem da escrita chama-se Arturo Pérez-Reverte e está a construir uma obra inultrapassável para quem goste de contos com aventura, história e imaginação. “Homens Bons” é a sua penúltima novela de capas e espadas e descreve com os pormenores que as suas buscas por alfarrabistas o permitem um cenário de viagem que vai de Madrid a Paris. É o tempo de ir encontrar a Enciclopédia, uma obra de 24 volumes que a Real Sociedade de Letras de Espanha resolve adquirir contra a vontade de algum clero e muita gente da Academia. Como todo o desenvolvimento cultural e científico, a aquisição desta obra carrega lutas, dissabores e sobretudo a força da ignorância contra a vontade de evoluir. O séc. XVIII está carregado de filhos da Inquisição e do despotismo que odeiam quem regista, quem avalia, quem enumera, quem contabiliza, quem arquiva. Não é apenas naquele século, é na história dos seres humanos e eu tenho assistido a tantos casos de menoridade que tomou o poder, a tantos biltres que usurparam a cultura, a tantos títeres que impediram a liberdade criativa e a força da evolução. A Inquisição existiu a par das Luzes. Ainda restavam leis proibitivas do pensamento quando alguns ousavam afirmar ideias, contrapor, criar dúvidas. Arturo Pérez-Reverte é um candidato a Nobel da Literatura e acaba de fazer sua nova novela policial que vende com estrondo por Espanha – “Falcó”. Ainda não cheguei a ela, mas já comprei!
Por: Diogo Cabrita


