A empresa Elibeira, que inclui o grupo CEDIR (Centro de Imagiologia de Diagnóstico Médico), vai investir perto de quatro milhões de euros num novo centro médico já em construção na Rua Batalha Reis. O projeto, que O INTERIOR revelou em primeira mão em setembro, foi apresentado pelos promotores na semana passada.
Desenhado pelos arquitetos João Navas e Fernando Reis Martins, o edifício de linhas contemporâneas e seis andares, dois dos quais subterrâneos, albergará uma clínica de meios complementares de diagnóstico, dois laboratórios de análises clínicas (um deles de anatomia patológica), consultórios de várias especialidades médicas, uma clínica dentária e espaços comerciais ligados à área da saúde, bem como dois pisos de estacionamento. O espaço poderá vir a ter também um bloco operatório para pequenas cirurgias de ambulatório. A obra já está a decorrer no local do antigo Colégio do Roseiral, desenhado pelo gabinete do famoso arquiteto Raul Lino no início do século passado, cuja fachada será preservada no novo edifício, que terá ainda uma praça virada para o jardim Dr. Lopo de Carvalho.
Na apresentação, Manuel Simões, médico e empresário, adiantou que o novo centro médico terá entre 40 a 50 funcionários e surge porque «era a altura de modernizar as instalações do grupo CEDIR e permitir o recurso a tecnologia mais moderna». O promotor destacou nomeadamente a instalação de «um dos mais sofisticados aparelhos» de ressonância magnética, mas negou a intenção de fazer concorrência ao Hospital Sousa Martins. «O que se pretende é complementaridade», sublinhou o médico radiologista, para quem «o hospital não tem que estar mal ou deficientemente equipado por causa da privada». Na sua opinião, a unidade «tem a obrigação de prestar aos utentes toda a assistência em exames e consultas que forem necessários e com qualidade. Já a privada terá que ter outras especialidades e serviços que sejam rentáveis porque a existência de equipamentos faz aumentar a procura», afirmou Manuel Simões.
Contudo, o empresário aproveitou a ocasião para lamentar os «enormes atrasos» nos pagamentos da Unidade Local de Saúde à CEDIR: «A ULS tem de perceber que é fundamental apoiar as clínicas da cidade, que precisam de receber atempadamente para também investir, enquanto outras entidades que nem são de cá são pagas principescamente e a tempo», declarou Manuel Simões, avisando que, no seu caso, «se não receber a horas teremos que parar a obra». O montante em dívida não foi revelado. Já o valor global do investimento é de cerca de 4 milhões de euros, sendo que o espaço custou 1,5 milhões e a empreitada está orçada em 2,5 milhões de euros. Por sua vez, o presidente da Câmara, que se disse um «adepto da arquitetura moderna», elogiou a aposta dos empresários na Guarda e o seu contributo para a requalificação urbana da cidade. «Toda aquela zona estará incomensuravelmente melhor após esta obra», disse Álvaro Amaro, para quem a regeneração urbana é «o grande desafio» da Guarda.
Luis Martins


